Educados e habituados ao padrão que resume este arquipélago a quase nada de um pequeno, triste e periférico país, os madeirenses atestam, nas estatísticas, que 2% é, praticamente e em média, aquilo que representam na nação. Relativamente a Portugal, no seu todo, registamos 2,5% da população nacional, 2,1% das empresas, 2,2% do pessoal ao serviço nas mesmas, 2,0% do correspondente volume de negócios, 2,2% da população empregada, geramos 2,3% do Valor Acrescentado Bruto, contribuímos com 3,1% do PIB, produzimos 2% da energia eléctrica, temos 2% dos prédios licenciados, 2,4% do parque habitacional, 2,3% dos acessos telefónicos, 2,4% dos terminais de multibanco, 2,6% dos votantes inscritos, vendemos 1,8% dos veículos novos, e, admitindo os mesmos critérios de apuramento, a nossa dívida corresponde a 2% da dívida nacional. Curiosamente, encontra-se reforçada a importância desta informação nas exceções à mesma. O número de estabelecimentos hoteleiros e a capacidade de alojamento, com quotas nacionais de 9,4% e de 10,3%, respectivamente. O CINM, único no País. Alguns notáveis do desporto no Mundo e, fundamentalmente, a nossa contribuição para a Zona Económica Exclusiva (ZEE) nacional. Portugal apresentou, junto das Nações Unidas, há dois anos, uma candidatura para a extensão da sua plataforma continental que permitirá a duplicação da área marítima sob jurisdição nacional e que coloca o país como o terceiro mais importante da Europa e o décimo primeiro do Mundo. Hoje, com uma ZEE de 1.727.408 KM2, Portugal tudo deve às suas Regiões Autónomas. A Madeira contribui com 26% daquela área, os Açores com 55% e o território continental ... apenas 19%. Por muito pouco interesse que se dê a esta questão, Portugal, sem os Açores e a Madeira, estaria na posição 60 da lista mundial das ZEE. Uma vez mais, sai reforçado o valor do mar que nos rodeia e a condição de ilhéu que nos caracteriza. Em resumo, leia-se a importância estratégica deste ativo que a natureza nos reservou e o potencial que o entendimento Açores-Madeira pode gerar no relacionamento com o País e na afirmação mundial destas duas Regiões Autónomas que, em conjunto, garantem, atualmente, a posição 25 no ranking em apreço.

Eduardo Jesus, Economista