O desemprego em Portugal e na Madeira está a tomar proporções dramáticas. É um problema social grave que atinge mais de um milhão de pessoas arrastando centenas de trabalhadores e famílias para a miséria e para a pobreza. Esta dura realidade abrange transversalmente os vários setores profissionais e grupos etários, atingindo principalmente os jovens como recentemente foi publicado neste matutino. Perante esta difícil situação com profundos impactos económicos e sociais e ainda de consequências imprevisíveis, é lamentável observar que os técnicos que recentemente estiveram a avaliar o comportamento do país quanto ao cumprimento do programa de ajustamento económico e financeiro, se centram meramente nos dados contabilísticos e nos documentos técnicos e esqueçam as pessoas a realidade e as características do País. É confrangedor ouvir algumas declarações de alguns responsáveis e as conclusões a que chegam. Entre outras coisas dizem que é necessário continuar a adotar mais medidas para melhorar o funcionamento do mercado laboral, que segundo eles passam por introduzir mais facilidade nos despedimentos, reduzir as despesas com os desempregados, implementar o designado banco de horas, facilitar a mobilidade dos trabalhadores, reduzir as extensões dos acordos coletivos de trabalho, diminuir ainda mais os custos com o trabalho, em vez de se promover o investimento e o poder de compra, dinamizando o mercado interno e externo entre outros fatores. Como se tudo isto não bastasse assiste-se por parte do ministro das finanças a repetidos anúncios de mudanças macroeconómicas, incertezas que não favorecem o investimento, destroem a economia, impedindo a fixação de empresas e a criação de postos de trabalho sobretudo para os trabalhadores com maior qualificação. Olhando para a saúde, sendo uma área apetecível com um grande potencial de crescimento e rentabilidade, logo a seguir ao tráfico de droga e á venda de armas, insiste-se nas parcerias publico privado, constatando-se a continuidade de um forte ímpeto privatizador para o setor. Na região a situação não foge a este contexto. A aplicação das medidas de austeridade, provocam encerramento e reorganização de serviços. Privilegia-se o tratamento em detrimento da promoção da saúde e prevenção da doença. No que toca aos enfermeiros apesar das evidentes carências, o Serviço Regional de Saúde continua a dispensar profissionais. Os que se mantêm no exercício da profissão vêm-se confrontados com a falta de material e medicamentos, redução de profissionais por turno, prolongamento dos períodos de trabalho, desmotivação, desgaste físico e mental, diminuição do tempo disponível para acompanhar os utentes, ausência de compensação de elementares direitos laborais, mobilidade forçada, progressiva degradação das condições de trabalho, aumento do risco de acidentes e incidentes assim como de doenças profissionais. Falta sensibilidade para admitir enfermeiros em condições excecionais e em número adequado, está-se a chegar a um ponto de rotura, não é exequível continuar a exigir mais, ate quando?
Juan Carvalho