Até 2015 o Governo de Jardim assumiu compromissos financeiros que ascendem a 3 500 ME sem contar com as PPP's (que são mais 600 ME até 2015). Grosso modo, o governo da Madeira para cumprir a sua palavra tem de gerar mais de 4 000 ME em 3,5 anos, cerca de 1 142 ME por ano, só para satisfazer compromissos passados. Uma tarefa objectivamente impossível, ainda por cima num quadro de forte recessão. Como se isto não bastasse, coloca-se a questão (ainda por responder!) a quem vamos pagar tanto dinheiro, o que foi feito e quais os seus resultados. Nessa matéria, reina o silêncio na Madeira e a cumplicidade em Lisboa: temos (dizem) de pagar mas não sabemos a quem devemos, o que devemos e porque devemos. Tudo num descaramento intolerável ainda por cima obrigando todos nós a sacrificarmo-nos por uma certeza oculta, configurada numa divida que levanta sérias e fundadas suspeitas da sua legitimidade. Esta coisa de "pagar e não piar", sem saber o quê, não me satisfaz e até incomoda-me sobremaneira. O desconforto assume proporções significativas quando é o próprio prevaricador, o homem da desgraça da Madeira, em conjunto com os seus companheiros, que me apresenta a factura deste descalabro. Ou seja, a solução para as aldrabices, as irresponsabilidades e mentiras que atiraram a RAM para a desgraça, foi engendrada e negociada pelos mesmos senhores que conduziram a Região ao estado em que nos encontramos. Mas, se fossem necessários mais factores de alerta, bastaria observar os termos do PAEF e os seus resultados: o que sobressai no referido plano é o choque fiscal em cima das empresas e das famílias e a perda de remunerações e de benefícios (totalmente legítimos) para quem vive a meio do Atlântico e sofre dos condicionalismos da ultraperiferia; quanto aos resultados, a única coisa certa é o óbvio falhanço: um empréstimo insuficiente, medidas desadequadas, execução impossível de concretizar e ajustamento orçamental excessivo. Na verdade, o PAEF assegura a manutenção de todos os esquemas de abuso de poder, manipulação e amiguismo que nortearam o governo Jardinista onde, por exemplo, o Jornal da Madeira, as Vias Litoral e Expresso e a manutenção de intenções de investimento irracional demonstram esta tese! De resto, o último comunicado do Governo Regional sobre a primeira avaliação do PAEF, prova o seguinte: este governo não faz a mínima ideia de como vai pagar os 2000 ME de divida comercial. É o que dá colocar um lobo a guardar o galinheiro!

Carlos Pereira - Líder parlamentar do PS-M