A troika, a crise, os impostos, a saúde e as taxas moderadoras, o desemprego e tudo o que mais pode deprimir o povo português está prestes a ficar adormecido. O Euro começou e com ele veio a anestesia colectiva. Para uns a selecção é uma palhaçada, pois com ela são gastos milhares de euros para satisfazer caprichos de jogadores medíocres armados em vedetas e com penteados ao estilo metrossexual. Para outros, a equipa das quinas é a razão pela qual estarão colados à televisão. Começou um grande evento desportivo onde a aleatoriedade entre a vitória e a derrota é o ingrediente que faz com que multidões assistam aos jogos quer nos estádios quer no sofá. Por estes dias tácticas e análises de jogos, comentários às escolhas técnicas, eliminação de selecções tidas como favoritas e o relembrar de velhas glórias e momentos são uma constante, um pouco por todo o país. Se o Europeu de futebol é motivo para que as pessoas se abstraiam, nem que por breves momentos, da triste e dura realidade do país, óptimo. Mas não tenhamos a tendência de vingar essa realidade desrespeitando um conjunto de pessoas que, creio, estar a fazer o seu melhor ao representar o seu país a fazer aquilo que sabem. Não temos de facto a melhor equipa nem somos campeões antes do início da competição. Mas surpresas acontecem e chegue onde chegar a nossa selecção não podemos dar como perdida uma prestação que ainda nem começou. Não podemos fazer da selecção a cobaia e o centro das nossas frustrações. Só o faz quem não sabe nem vive o futebol.
Marcos Nascimento - Colaborador da AAUMa