O problema do financiamento da cultura na Madeira parece ser um bicho de sete cabeças, mas se formos inovadores e havendo interesse político em fazer algo de realmente diferente, pode mudar-se o tal paradigma que esta geração de políticos tanto apregoa, mas que não tem vontade para fazer. Exceptuando os fundos comunitários (Intervir +, Proderam), existem iniciativas que a tutela da cultura deveria efectuar para aumentar o seu orçamento. Em primeiro lugar, uma completa requalificação da gestão das receitas públicas. É fundamental alterar toda a política de preços dos equipamentos públicos e lançar um projecto de marketing para viabilizar uma estratégia de turismo cultural. Segundo, requalificar a percentagem das receitas do Casino da Madeira, que deveriam ser injectadas globalmente e não apenas na animação do Grupo Pestana. Terceiro, estabelecer uma percentagem das receitas das empresas de transportes de turismo que deveriam ser investidos no sector cultural. Em compensação, seriam dadas a essas companhias e aos seus clientes acessos privilegiados a iniciativas culturais. Quarto, mexer nas receitas fiscais do tabaco, onde uma percentagem seria alocada à Cultura da Madeira. Quinto, criar um mecanismo de compensação das obras públicas. Por cada cêntimo de euro ganho em concurso público pelas construtoras na Madeira, uma percentagem seria investida por estas em recuperação de património, através da prestação de serviços e não de transferência de verbas. Sexto, criar um mecanismo de compensação de consumo de conteúdos multimédia. A Madeira consome muito mais conteúdos multimédia do que produz. As empresas de telecomunicações teriam que investir parte das suas receitas no sector criativo da Madeira, apoiando a produção de conteúdos regionais e tendo preferência na sua comercialização.

Maurício Marques - Gestor Cultural