Fomos todos atirados para um vórtice do tempo num regresso ao passado, aos tempos da Madeira Velha. É como se durante 40 anos tivéssemos dado uma volta de 360 graus, de regresso ao ponto de partida. Passadas quase 4 décadas da conquista da Democracia e da Autonomia, voltamos ao início. A Autonomia foi-se no momento em que foi assinado o Plano de Ajustamento. Carrascos. A Madeira criou novos senhorios, e teve de criar novos impostos para o povo pagar as suas vaidades e as suas loucuras. Hoje temos mais desempregados do que nos primórdios da Autonomia. É a "Madeira nova". A emigração disparou e só tem paralelo com as décadas de 50 e 60 do século passado. A Venezuela, a África do Sul, o Brasil, França, Londres, Jersey e Guernsey voltaram a ser o destino de milhares de madeirenses, como já não havia memória. A pobreza e a fome ganharam espaço no quotidiano das nossas vidas, as dificuldades financeiras das empresas e das famílias estão à vista de todos, sente-se no bolso. A classe média, que nos últimos anos cresceu, agora, sob o peso dos impostos e dos cortes salariais, definha. Muitos dos nossos avós e pais tiveram que emigrar. À minha geração foi-nos dito que se estudássemos aqui na Madeira teríamos nosso futuro garantido. Agora, os jovens olham à volta e vêem um deserto de oportunidades e a única porta que se lhes abre é a mesma que se abria aos nossos pais e avós, a emigração. Esta mudança de paradigma da educação para a emigração esta a comprometer o nosso futuro de forma irremediável. Durante as últimas décadas vieram milhões do Orçamento de Estado, da União Europeia e dos nossos impostos, para desenvolver a Madeira de forma sustentável, pensando no futuro. Este Governo PSD pensou em eleições, mas nunca pensou no futuro da nossa Terra e dos nossos jovens. Este PSD, que desgovernou a Madeira, governou-se muito bem. É vê-los cheios de si, de papo cheio, sem vergonha na cara, embevecidos no novo riquismo, a acumular património e riqueza, ignorando a miséria do nosso povo. Cometeram os erros e o povo é que paga. Este é dos poucos casos em que o pecador é absolvido dos seus pecados e quem não pecou é castigado. Assim se invertem os valores enquanto esses senhorios se passeiam livremente nas ruas sem que alguém os chame a contas.