Aintrigante sinceridade do presidente do governo de alguns madeirenses é comovente. Pelas piores razões. Sobretudo porque confirmam a institucionalização do desleixo, da anarquia e da demência. Ao assumir sem dó que já não se preocupa com os inexplicáveis atrasos na transferência de verbas acordadas entre o Estado e a Região e consequentemente com a miséria instalada nesta terra de incertezas, com as insolvências galopantes, com o nunca visto desemprego jovem e com os calotes por saldar, Jardim transmite desnorte, balda e irresponsabilidade. Para além de ter mentido à população que há sete meses lhe deu o benefício da dúvida, agora mostra-se descomprometido com as causas que o tornaram referência daqueles que o seguiram sem questionar opções e alertar para as nefastas consequências da má gestão das prioridades e dos recursos disponíveis. O outrora líder adorado age como se não vivesse entre os pobres, muitos dos quais oriundos da classe dos remediados que o regime protegeu enquanto precisou. Distancia-se dos graves problemas como se não tivesse culpa de nada, julgando-se desobrigado de acautelar o futuro de um povo que catalogou de 'superior', mas que rebaixa sempre que lhe convém com palavras, actos e omissões. O plano de resgate financeiro acordado com o Governo da República tem a sua assinatura e não a dos jornalistas, que uma vez próximos dos indefesos, dos humilhados e dos necessitados estão obrigados a contar a verdade, mesmo que indesejada e incómoda para quem teima em adiar decisões e em perceber que o problema nunca pode ser solução. É preocupante a despreocupação presidencial. Tal como é o silêncio de todos os cúmplices que toleram todo o tipo de atrocidades contra a dignidade humana, contra a qualidade de vida, contra as leis e os princípios, contra os valores e o bom senso, contra a democracia, a unidade nacional e a Autonomia. A quem recebe dois salários pagos pelos contribuintes o mínimo que se exige é que tenha a máxima consideração por todos quantos lhe garantem sustento. Vítor Gaspar, Ministro das Finanças Apesar da ordem para libertar o dinheiro que tanta falta faz à Região, há quem se queixe de nada receber. Não será porque persistem "elementos de incerteza" no controlo orçamental das contas regionais?! Ricardo Arraiol, Empresário Num contexto adverso soube ser empreendedor, antecipar-se à concorrência salutar e crescer de forma sustentada. Começou com um café e hoje administra cinco espaços comercias. Que tenha sucesso, mesmo que desperte inveja. Jardim Ramos, Secrtário dos Assuntos Sociais Não sai de cena pelas piores razões. Tem o azar de ter herdado broncas, caso do 'dossier' JM, do desemprego jovem, agora a rondar os 52% e da instabilidade na saúde. Por isso mesmo, devia ser eloquente quando reage aos dramas. Ventura Garcês, Secretário do Plano Em vez de governar, manda redigir 'esclarecimentos'. Desta vez, ditou ordens para o DIÁRIO, sobre o que deve ser notícia, título, postura e termos a usar, acrescidas da acusa-ção de prática de "guerrilha política". Está à espera de quê? Paulo David, Arquitecto A condecoração neste dia de Portugal é justa e merecida. Mas peca por tardia. E sobretudo por não ter sido antecedida de um louvor regional quando recebeu importante prémio internacional. Vale-nos que o seu mérito se sobrepõe à ingratidão.