O relatório 1, realizado pela Pró-Reitoria da Universidade de Évora em 2004, 'Relatório de Auto - Avaliação do Curso de Licenciatura em Música', dirigiu-se aos licenciados e analisou a sua integração no mercado de trabalho. Duas frases chamaram-nos a atenção pelas respostas mais contabilizadas: "saturação do mercado de trabalho na sua área de formação" e "o curso que frequentou não tinha procura no mercado regional/local". Relatório 2, efectuado em 2007, pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, com coordenação de Domingos Fernandes, o 'Relatório de Avaliação do Ensino Artístico', refere: "merece ser destacada a necessidade de redefinição de perfis e estatutos profissionais para a afirmação dos artistas na sociedade portuguesa, adequados às constantes mudanças do mercado de emprego...". Nas escolas privadas, o estudo mostra que "grande parte dos professores já tem habilitação própria, de grau superior, para leccionar nestas escolas". Verifica-se também que "...a maioria dos docentes se encontra em regime de prestação de serviços". Quanto às escolas profissionais "...parecem garantir a prestação do serviço docente através de profissionais que não pertencem a qualquer quadro das escolas e que são recrutados como prestadores de serviços". Por fim, o 'Relatório Síntese Global da Comissão de Avaliação Externa dos Cursos Universitários da Área de Música e das Artes do Espectáculo' (2007). Nele diz-se: "É de realçar que existem factores, aliás determinantes relativamente a conteúdos programáticos, objectivos dos cursos e empregabilidade que são em grande escala negativamente definidos devido a uma ausência de claras linhas orientadoras e reguladoras traçadas pelo Ministério do Ensino Superior". "...é difícil perceber, como mereceram aprovação ministerial a abertura de Licenciaturas em Música em vários estabelecimentos de Ensino Superior situados a pouca distância uns dos outros, e com uma reduzida população-alvo, ou como podem continuar, por parte da tutela, os fortes apoios financeiros às instituições privadas em franco prejuízo para as escolas públicas da mesma área". Num marketing avassalador, assistimos todos os anos à promoção de novos cursos, confundindo alunos e encarregados de educação. Os relatórios são claros! Três palavras: mudança, regulação e transparência.
Vítor Sardinha, Músico