A dívida das autarquias foi recentemente divulgada que é cerca de 9,3 mil milhões de euros. Sabemos que a dívida da Madeira é de 6 mil milhões de euros e que a dos Açores deverá rondar os 4 mil milhões de euros embora não se saiba ainda o seu valor exacto mas lá chegaremos pois em breve esta Região entrará em pré campanha eleitoral para as legislativas de Outubro próximo. A dívida do Estado era à data do acordo com a troika de aproximadamente de 150 mil milhões de euros Apesar de tanto dinheiro gasto, a nossa economia nunca deu sinais de grande consistência face aos desequilíbrios estruturais existentes com uma agricultura de subsistência e que foi totalmente marginalizada após o 25 de Abril, com uma indústria incipiente com falta de competitividade e de estratégia e um comércio que foi sobrevivendo à custa de créditos concedidos pela banca que fomentou uma política de consumo nada condizente com as condições de vida da maioria dos portugueses. Naturalmente que todo esse dinheiro não foi gasto da mesma forma. Falar do buraco da Madeira ou da sua dívida como o mal de toda a dívida do país é embuste pois sabe-se que o dinheiro foi gasto em obras que estão à vista de todos e que ajudaram a desenvolver a Região em todas as suas vertentes sem que isso signifique que não houve erros ou empreendimentos escusados. Com se compreende que o Estado tenha gasto até momento, fora o que não se sabe, 8 mil milhões no BPN, dinheiro que sai do bolso de todos contribuintes sem benefícios para nós. Como se compreende que o governo anterior tenha despendido em projectos e estudos para obras que este governo não vai realizar, conforme investigação feita pela revista Visão, cerca de 200 milhões de euros que poderão atingir a soma de 500 milhões de euros se juntarmos eventuais indemnizações. Nesta pequena amostra verifica-se que não basta divulgar o montante das dívidas pois o que realmente interessa aos portugueses é saber como é que foi gasto tanto dinheiro e se efectivamente houve benefícios para a comunidade.

José Manuel Oliveira