Assistimos nos últimos dias a episódios interessantes, relacionados com a vida interna da JSD-Madeira, que culminou com a saída de cena do seu inenarrável presidente José Pedro Pereira. A primeira reflexão que me ocorre é relativa aos factos que permitiram semelhante ‘fenómeno’, desde a sua frenética ascensão à inevitável queda, coisas que não resultaram apenas dos efémeros entusiasmos de ‘pequenos’, mas também de muito adulto que agora gostaria de esconder-se. Desde logo, aquele extravagante estilo de liderança não apareceu do nada. Seguia um modelo, uma referência. A apetência pelo ‘quero, posso e mando’, mais a arrogância nunca repreendida, só podia desembocar no que se viu. Para a história ficam episódios tristes que não envergonham apenas o ex-líder da ‘jota’. Permito-me recordar os imberbes adultos que se cruzaram nas chamadas telefónicas que permitiram a desautorização dos agentes da PSP que cumpriam o seu dever, os graúdos irresponsáveis que incentivaram ‘very ligths’ na porta do DIÁRIO na noite das eleições, mais os seguranças pagos pelo erário público, que estavam de serviço dentro dos mesmos autocarros, mas que estranhamente ‘nada viram’. Não se preocupem que não me alongarei na listagem das infantilidades permitidas ao mais efémero dos líderes da ‘jota’ laranja. Os problemas de consciência e o receio interminável de ver os seus nomes, preto no branco, relacionados com semelhantes feitos, serão suficientemente penalizadores. Prefiro centrar-me na lição que os restantes membros dos órgãos dirigentes da JSD acabaram por dar a todo o partido. Na terça-feira, vimo-los a quase todos, uns mais conhecidos que outros, a tomar uma posição pública e inequívoca sobre algo que consideraram estar a tomar proporções preocupantes. Com ou sem influências, agiram. A tempo e horas. E com consequências. Agora transponha-se este exemplo para os seniores. Salvaguardado o exagero da comparação, veja-se o que anda a fazer e a dizer o líder; atente-se nos tiros nos pés, na sensação de impunidade, na irresponsabilidade dos discursos e analise-se os efeitos de tais grosserias que comprometem, de forma directa e inequívoca, uma população que lhe confiou os destinos. Depois, veja-se qual tem sido o papel assumido pelos outros dirigentes, aqueles que lhe devem fidelidade, mas que também não estão dispensados de serem responsáveis e até, imagine-se, de pensar pela própria cabeça. Que têm feito eles? Abanam a cabeça, da mesma maneira que o faziam quando havia alguma lucidez e, sobretudo, rios de dinheiro para esconder e disfarçar as estratégias suicidas. Que todos estamos condenados a pagar agora. É intrigante reflectir sobre o que levará tanta gente pensante, alguns com provas dadas, outros ‘bluff’ toda a vida, a agirem como agem. Porque é que dirigentes com a ‘vidinha’ literalmente arrumada, mais as dos seus, mesmo assim aprovam – pelo silêncio que consente – estratégias suicidas e humilhantes que um dia terão fim? Alguns desses personagens fizeram parte da vida pública durante as últimas décadas. Conhecemo-los bem. Desiludem porque nunca tomam uma posição que não seja a eterna bajulação. Em breve, meses ou anos, a Madeira mudará para outro cenário. Atrevo-me a dizer que recuperaremos a normalidade que nunca tivemos, por força dessa figura que foi, de facto, marcante. Para o bem e para o mal. Não esperem esses figurantes, que pactuaram quando deviam empertigar-se, que percamos a memória. Ou que compreendamos eternamente os condicionalismos que eles nunca quiseram anular, porque também lhes dava imenso jeito. Toda essa gente devia olhar para os rapazes e as raparigas da JSD que deram ao seu ex-líder um generoso benefício da dúvida. Depois, assumiram as suas responsabilidades e puseram ordem na casa. Imaginemos que faziam como a maioria dos seniores que integram os órgãos dirigentes do PSD Madeira…