A acalmia da noite foi, de repente, assaltada por uma notícia lançada pela Lusa: o FC Porto pede a descida de divisão do Marítimo. Em causa estava o caso Kléber e o recurso aos tribunais comuns por parte do Marítimo. A primeira reação foi de espanto, levando-me a exclamar: "mas que lata têm estes tipos". No entanto, já nada das nortadas nos pode surpreender. Quem passou praticamente incólume ao processo 'Apito Dourado', pese embora toda a fruta e outros tipos de sobremesa servidos aos árbitros, quem, depois de tudo isto, ainda clama pela verdade desportiva - uma verdade muito deles - é capaz de tudo e mais alguma coisa. Mas, o que mais me surpreendeu, na ressaca da notícia então vinculada, foram as dúvidas lancadas, na região, por um comentador desportivo, por acaso, com muitas costelas portistas. Naturalmente para quem domina toda a esfera futebolística nos últimos 25 anos, quem constantemente enreda os rivais em autênticos cavalos de Tróia (veja-se o caso de Fernando Gomes, de contestado a aliado), quem cria amigos por conveniência, de tudo se espera. O jogador Kléber foi clara e comprovadamente aliciado, quando tinha um ano de contrato com o Marítimo, foi instado a abandonar o estágio da equipa, primeiro, e a escapar-se para o Brasil, depois, como forma a pressionar a sua saída. Acabou ficando no Marítimo,como um factor de perturbação ao grupo de trabalho e com evidentes prejuízos ao rendimento da equipa, e, naturalmente, o clube recorreu a todas as instâncias desportivas. Mas o acórdão do Conselho de Justiça é um mimo jurídico. Ou seja, é entendido que "apesar de detentor dos direitos desportivos, o direito do Marítimo SAD a não ver os seus jogadores aliciados por clubes que disputem as mesmas competições não merece a proteção por não ser o detentor dos direitos económicos". O recurso natural do Marítimo, esgotadas as instâncias desportivas, foi o Tribunal Administrativo na solicitação da anulação do acórdão do Conselho de Justiça. E por isso, o FC Porto pedia a descida de divisão. Pedia… Mas, como diz o conceituado jurista José Manuel Meirim, num artigo publicado no 'Público', o Marítimo vai jogar na II Liga, mas com a sua equipa B. Mas, que se cuide o Marítimo, mais manobras de intimidação vão continuar, ninguém tenha dúvidas. O FC Porto não vai ficar parado.
Emanuel Rosa, Repórter