Desde que o Presidente pediu auxilio financeiro ao Governo da República em Agosto de 2011, nada foi como dantes. Os mais conhecedores da realidade sabiam que as contas estavam pérfidas, não batiam certo, mas até então, nenhuma entidade supra partidária tinha-o afirmado perentoriamente. Apenas o Tribunal de Contas nos relatórios que produzia apresentava reparos, esmagadoramente ignorados pelo Governo, e sem consequências práticas. Devo dizer que sempre gostei de saber como é gasto o dinheiro do contribuinte. Como contribuinte, sinto-me como se fosse acionista de uma empresa, gosto de saber como é aplicado o dinheiro, de saber das contas e qual o retorno do meu investimento. Fiquei surpreendido quando em setembro do ano passado a Inspeção Geral de Finanças apurou uma dívida que nenhum administrador da Região exerceu a "obrigação" de apresentar. Senti-me defraudado, enganado, injustiçado. Na altura, o Presidente da minha terra justificou que "tínhamos dívida mas tínhamos obra" e também disse "não aumento impostos"- confesso que não fiquei nem convencido, nem aliviado. Depois foram as eleições regionais e o Presidente Candidato a Presidente disse que era a pessoa mais preparada para negociar o programa de ajuda financeira à Região e que os Madeirenses confiassem na sua capacidade concretizadora. Bingo! Maioria absoluta! Estavam reunidas as condições exigidas para negociar. Primeiro, assinou a carta de intenções e depois o PAEF - Plano de Ajustamento Económico e Financeiro. Estava dado o mote. Não é possível esconder para sempre uma realidade enganadora. Das irregularidades detectadas veio a investigação do DCIAP e a "operação cuba livre". Mas a vida continuava, com a falta de medicamentos, suspensão nos reembolsos, falta de pagamento no transporte de doentes, falta de fornecimentos e material nas escolas, interrupção no transporte de crianças, ameaça de quebra no fornecimento de refeições, etc. etc. Não é possível continuar assim. Temos de colectivamente discernir e perceber o estado em que estamos e para onde queremos ir. "Chega sempre a hora em que não basta apenas protestar: após a filosofia, a ação é indispensável."

Rui Barreto, Deputado do CDS-PP