Nos dias antecedentes à reunião dos Lideres de Estado Europeus, haviam muitos rumores de que da reunião pudesse sair um anúncio de um programa piloto para a criação das tão desejadas Euro-obrigações. Este projecto seria muito favorável pois viria de encontro à necessidade de criar medidas pró-crescimento e emprego em toda a Europa e em particular nos países periféricos.

No entanto, o anúncio não se confirmou, mas segundo o primeiro-ministro português, o assunto foi amplamente discutido durante os 3 dias da reunião. Grande maioria dos chefes de estado, consideram que este mecanismo teria efeitos positivos, mas não lhes parece que seja este o momento para a sua criação. Não dizem é porquê! Quanto a mim são mais as razoes políticas que as económicas, as que inviabilizam os Eurobonds. Infelizmente, mais uma vez, o peso da vertente política sobrepõe-se à vertente económica. O “caso grego” e as eleições alemãs, não deixam que este projecto avance, pois em ambos os casos não está próxima a sua resolução.

As eleições federais alemãs do próximo ano, são quanto a mim o principal travão deste projecto, pois ainda estão distantes e uma mudança de opinião neste assunto em particular pode significar um futuro político muito complicado para Angela Merkel, uma vez que esta se tem debatido por um Banco Central Europeu independente e inútil para uma política de emprego e estímulo. Um Banco Central assim, ao contrário do que acontece nos Estados Unidos, só dificulta a vida a países com pouca competitividade e com uma economia pouco ágil, como é o caso dos periféricos. Estes países para se financiarem sem o apoio directo do BCE, vêm a sua dívida a tomar proporções que os arrastam para um ciclo vicioso de divida para pagar dívida. O efeito em países como a Alemanha, é precisamente inverso, pois o aumento do risco nos países periféricos, significa uma maior atractividade de divida com menos risco e consequente queda na taxa de juros da mesma, resultado da maior procura. Assim a Alemanha consegue se financiar a custos muito baixos e é por isso que as Euro-obrigações não lhes parecem interessantes. Já o “caso grego” não tem fim à vista. Não acabará no dia 17 de Junho com as eleições, pois se acabar por ganhar o partido que não quer honrar o acordo com a troika (SYRIZA), que continua à frente nas sondagens, isto pode não significar uma ruptura imediata, pois é certo que passarão muitas semanas de negociação até se concretizar qualquer um dos dois cenários. Esse tempo de negociação teria como consequência a saída em massa de capital do país, fuga essa forçosamente financiada pelo BCE, uma vez que os Bancos comerciais gregos estão subcapitalizados.

Resumindo, os Eurobonds não avançam, não porque temos uma Europa heterogénea como justificam alguns dos Lideres Europeus (uma Europa homogénea a nível financeiro, político e económico nunca tivemos nem nunca vamos ter), mas porque a União Europeia foi criada sem um verdadeiro sentido de união que implicasse a entreajuda entre os estados membros e porque os interesses de cada um dos membros sobrepõem-se sempre aos interesses dos outros, ganhando como sempre, os interesses do mais forte.

Luís Pedro Branco, Gestor Financeiro