Este slogan tem mais de 20 anos. Há mais de 20 anos que a Nike nos diz a mesma coisa. Há mais de 20 anos que a assinatura desta marca nos faz crer que tudo é possível. E não se trata apenas de um "sound bite", mas antes de um negócio de milhões baseado numa ideia de sucesso a que todos nós, consumidores, podemos ter acesso. A missão da Nike há quase 40 anos atrás era produzir sapatilhas; hoje fabrica desejos. Diariamente somos sujeitos a centenas ou mesmo milhares de impulsos publicitários. E entre esse "ruído" vencem as marcas que nos tocam. Uma marca, e não um produto ou serviço, é um conjunto de associações afetivas e emocionais que construímos em redor de algo. Na maior parte das ocasiões e mesmo que inadvertidamente, os consumidores de hoje não compram produtos. Os consumidores compram marcas. Uma marca não é igualmente algo que uma empresa possa produzir e vender a outra. É antes algo que se constrói ao longo de anos e implica um investimento continuado e coerente. Uma marca é assim um contrato com o consumidor, actual ou potencial, e é também uma garantia de padrões de valor na oferta que é apresentada ao mercado. Uma fábrica do norte de Portugal ou numa aldeia na China produz um par de sapatilhas com o mesmo valor efetivo de umas "Nike". O que a Nike construiu foi uma ideia de valor e de pertença associados a um estilo de vida e a uma atitude distintiva. Os produtos e serviços que continuam a investir nas suas marcas, mesmo em mercados em recessão, são os que garantem maiores taxas de crescimento quando a retoma regressar.
Luís Sena Lino - Consultor de Marketing e Comunicação