O Governo que não está legitimado pela maioria dos madeirenses trata quase tudo o que é decisivo como se fosse "residual", muito à imagem daquilo que é na prática a sua miserável actuação, num tempo marcado pela necessidade e austeridade e que exigia engenho e empenho. Dá dó vê-los em constante carrossel político, em permanente desvario e em preocupantes alucinações públicas, sem respostas consistentes, capazes de devolver a dignidade a um povo enganado, sem soluções para os dramas sociais, por sinal antes negados, mas agora admitidos sem complexos, tal é o desespero oficial, por não ser mais possível esconder a pobreza, a fome e a emigração forçada. Os decisores perdem-se em decisões avulsas, fabricadas sem debate, nem consensos, assinadas de cruz, pródigas em termos que nem dominam, mas sempre prontos para discursar sem escrúpulos, na procura incessante por culpados que não eles, de preferência de outras paragens e com total desprezo pela dor dos homens. A aplicação das incessantemente negadas 'taxas moderadoras' na saúde regional - como se 25% dos que procuram as urgências fossem extraterrestres, como se 15 ou 20 euros fossem reles trocos e como se o nome de mais um agravamento fosse o mais importante - é apenas um dos exemplos de como o Governo trata como 'residual' o que é elementar. Há mais casos. E muitos, sempre com a tendência oficial para branquear, para fugir ao essencial e para alegadamente desmentir verdades. Os fornecedores reclamam por dinheiro devido, mas o caloteiro executivo de Jardim insinua que quem protesta é oportunista e ingrato; quem agora faz greve, e antes era incentivado a fazê-lo, é tratado como criminoso; a crise exige redefinição de prioridades, mas quem manda insiste em perpetuar luxos e lixos; o 'Expresso' revela que a Madeira escondeu 1.878 facturas, mas o que o secretário Ventura Garcês diz é que "estranha" que um jornal tenha tido acesso a um relatório que ainda se encontra em processo de contraditório; a Região não acata na íntegra 90% das recomendações formuladas pelo Tribunal de Contas, mas o que os governantes tentarão dizer é que cumprem em 10% dos casos. Um governo assim é bem menos do que "residual", a caminho da devida estação de tratamento. José Luís Rodrigues, Padre A igreja madeirense não se esgota no riso esmorecido de quem nada diz sobre escândalos e abusos. O sacerdote é dos poucos lúcidos da diocese. Desafiar "os que nos governam a tomarem atitudes exemplares" é de Homem. Leonardo Jardim, Treinador O sucesso por vezes trai a memória. Não é o caso do técnico do Braga que em pleno momento de glória fez questão de manifestar a gratidão a quem o lançou. Vir à Camacha assumir que lhe deve muito revela grandeza de espírito. Conceição Estudante, Secretária Regional Embora revele um amuo que o sector não compreende, nem merece, consegue dar um importante contributo para o Turismo. Ao não fazer estimativas hoteleiras no Festival Atlântico, pelo menos não alimenta falsas expectativas. Inovador. Carlos Candelária, Ex-secretário-geral da JSD Foi preciso um comunicado de muito baixo nível para que houvesse uma demissão na JSD-M e acabasse o silêncio cúmplice numa organização com cadastro. Bateu com a porta, mas talvez um pouco tarde. Os insultos não são de agora. Alberto João Jardim, Presidente É um perigo público porque só pensa em si e é incapaz de decidir em função dos interesses dos madeirenses. Acumula contradições, profere ameaças, fomenta a discórdia. Falta-lhe lucidez e sentido de Estado. Onde anda Cavaco Silva?