Com a mais recente edição da Winter Music Conference em Miami, cujo propósito é reunir os artistas, editoras e clubbers de toda a indústria (o mesmo que os Oscars em relação ao cinema, mas sem prémios) ficou claro que a música electrónica ou agora como lhe chamam EDM (Electronic Dance Music) veio para ficar no mercado norte-americano. Não deixa de ser curioso que no país onde tudo se "inventou" desde a House Music de Frankie Knucles até Larry Heard, à Techno de Derrick May, Juan Atkins e Kevin Sauderson, aos maiores clubes e dj's que o planeta conheceu desde o Paradise Garage com Larry Levan até ao Sound Factory com Júnior Vasquez, a América tenha "ignorado" os filhos da nação durante quase trinta anos, e por ironia do destino, tenha sido uma data de estrangeiros a levar definitivamente a música electrónica ao topo das charts do quase impenetrável mercado norte-americano. Para se ter um pouco mais a consciência do que se está a passar, Madonna a aclamada rainha da Pop, decidiu fazer uma visita surpresa ao Ultra Music Festival, que se realiza na semana seguinte à Winter Music Conference em Miami e gritou à multidão que sempre tinha estado ligada à música electrónica e aos dj's, em jeito de promoção do seu novo álbum que sairia alguns dias depois. Um dos aspectos que marca muito esta nova música de dança, que muitos apelidam de House, mas que não passa de uma mistura de Trance com Pop, embalsamado em rimas do Hip Hop, é o facto que as pessoas que estão a produzir este tipo de música já não têm os clubes ou discotecas como inspiração, mas sim enormes estádios cheios de gente e energia, é por isso que a música comercial está tão agressiva, tão rápida, tão sem alma. A EDM e os dj's chegaram finalmente ao topo do seu reconhecimento para bem ou para mal, quase quarenta anos depois do inicio da sua jornada.

Márcio Costa, DJ