Davids & Araújo (2005) consideram um sistema dinâmico como qualquer sistema que evolui ao longo de diferentes escalas temporais, e que "os sistemas dinâmicos de movimento têm a capacidade de estabelecer relações estáveis e instáveis entre as partes do sistema", ou seja, têm a capacidade de auto-organização. Para os mesmos autores, estes sistemas são capazes de explorar os constrangimentos e a maneira como os componentes estão ligados, de forma a permitir que emirjam padrões funcionais de comportamento em contextos específicos. Cada equipa actua então como um sistema, onde os seus componentes (jogadores) estão organizados de uma determinada forma (Seeley, 2001), pelo que os seus condicionamentos específicos interagem com o ambiente para atingir o objectivo da tarefa. Surge então o papel da coordenação inter-individual, assente numa dinâmica relacional, cuja flexibilidade e variedade resulta em ligações temporárias, que dão forma àquilo que é o jogo em cada um dos seus momentos. Os desportos colectivos podem ser descritos como uma série de sub-objectivos, cada um condicionando a coordenação de jogadores diferentes de modo distinto. O sistema pode ser desestabilizado com sucesso (vantagem do atacante sobre o defesa no 1 x 1 ou o contrário), mas, isso sucede sempre num carácter dinâmico. Uma análise dinâmica deste processo de transição, pode ser formada pela posição do ataque em relação à defesa ou da defesa em relação ao ataque; respeitando o estado de ordem, em relação à bola e ao alvo a atacar ou a defender. No caso do ataque ser bem sucedido, não existe praticamente situação de equilíbrio, ou melhor, existe um desequilíbrio com vantagem para o ataque. Assim, as tomadas de decisões que estão na base da criação dos desequilíbrios, implicam processos dinâmicos e interactivos, com decisões seguidas por acções e por novas decisões, num processo sempre contínuo.
Eduardinho, Treinador