"Nós não queremos uma Europa alemã; queremos, sim, uma Alemanha europeia!" Helmut Kohl. O alcance e a lucidez destas palavras fizeram-me, uma vez mais, refletir no percurso que a UE vem trilhando e nos valores que norteiam os atuais líderes europeus, cruzando -os com o lugar que ocupa "o sonho europeu" na agenda política atual, o sonho já visionado por Victor Hugo. É comum afirmar-se que hoje na Europa não temos políticos à altura de concretizar o "sonho europeu". Entendo que, mais que pessoas, perdemos valores humanistas de progresso e integração social enquanto linhas orientadoras de opções políticas comuns. O "sonho europeu" resumiu-se a aspetos de finanças e ignorou a sua primordial gênese: a construção da paz mundial. Urge recentrar as opções macro políticas no seio da UE, de modo a que os objetivos gerais não sejam os interesses nacionais mas a integração social coletiva. Os planos de assistência financeira, por si só, não são o melhor para o sucesso coletivo. Poderão mesmo ser uma forma camuflada de garantir interesses nacionais, onde os mais pequenos continuam pequenos e os grandes se tornam maiores. Porque não aceito uma UE em "clima de fim de festa", porque acredito que é possível a concretização do sonho, porque o transmito a adolescentes e jovens, cito Helmut Kohl, consciente que pouco posso fazer, mas certo que todos somos importantes para a construção da "Alemanha europeia". Ou será coincidência a Alemanha financiar-se quase a zero por cento?

Nuno Maciel, Professor