Ilídio Freitas Tenho subido "a pulso" na vida. Hoje, pequeno empresário na área da restauração e confecção de refeições. Família constituída. Já avô. Comecei a trabalhar aos treze anos. Tive bons Amigos e Mestres. Aprendi, estudei. Trabalhador, formador, chefe, director, patrão. Dizem que tenho "sorte" na vida. Talvez. Sorte que me "dá muito trabalho", ocupando-me oito horas e mais/dia. No Porto santo "…terra amiga… sem igual…", cantava o nosso Max, adquiri um lote, numa Urbanização, construí uma pequena moradia, o meu refúgio retemperador de forças, que me acolhe com a frequência possível. Há oito anos que para ali transferi o meu "domicílio fiscal", sendo a correspondência reenviada para o Funchal com o pagamento de uma sobretaxa aos CTT. A urbanização ainda não tem "placas" toponímicas, nem número de polícia. Continuamos identificados pelo número do "lote". Vezes tenho ido à Câmara do Porto Santo apresentar reclamação. Ali já me disseram - " compre uma placa e coloque-a". Sem competência para tal, dispenso-me de tal tarefa. Mantenho-me à espera. Sempre que o carteiro da zona entra de férias ou é mudado, é certo que há correspondência atrasada e até extraviada. Os CTT dizem que é identificação insuficiente. E surgem as multas fiscais, juros de mora … nova ida à Câmara. Aconselharam-me a solicitar nova audiência ao vereador do pelouro. Pedido feito, audiência marcada, dia e hora. Compareci pontualmente. Desta "vai ter vez", pensei eu. Fui recebido. Como ainda não conhecia este Senhor, voltei a contar a toda a minha já velha história, focando os inconvenientes da falta das placas e números de porta. Não gostou e ripostou " como o seu caso há muitos, tenha paciência". Já conhecia a frase do antecedente e insisti, perguntando quantos anos mais teria de esperar. Resposta seca: "Se vem cá para me rezondar, a conversa acaba já"! E acabei mesmo. Um cumprimento "seco" e retirei-me! Entre a decepção e a irritação, dei-me a cismar… cumpro os meus deveres pago impostos … o IMI destes oito anos daria para muitas "placas" e ainda ajudar a pagar os honorários do Senhor Vereador, suas viagens em serviços e as "mordomias" que o honroso cargo para que foi eleito, para Servir o Povo, lhe dão direito. Aceito o "encargo". Está na Lei! Agora, ajudar a pagar as horas em que, "impaciente", recebe os munícipes, não concordo e protesto… E fico-me na espera, mais uma vez, entre a "impaciência" do Senhor Edil e as minhas "justas" reclamações. Até quando?