Portugal é um país de estatísticas, números, relatórios, auditorias, avaliações externas, FMI, OCDE, entre muitos outros. É gerido por terceiros e manipulado pelo capitalismo europeu. Tornamo-nos irresponsáveis e inconsequentes, num Estado megalómano, improdutivo e desajustado. A grande preocupação nacional é pôr as contas públicas em ordem, reduzir o défice e apresentar boas estatísticas, mesmo que para tal se continue a sacrificar o crescimento económico, facilitando o desemprego, incentivando a emigração e gerando uma onda de revolta social. O português é, por natureza, calmo… Os bancos emprestaram mais do que podiam e deviam. Os particulares gastaram e pediram muito acima do que tinham. Os políticos, sem qualquer regra, peso ou medida, construíram e endividaram o país sem saber como pagar e quem iria pagar. A Europa e o Banco Central assistiram a tudo isto de forma passiva, calma e numa inquietante irresponsabilidade. E agora? De que falamos todos e de que lutas falam os políticos? De repente todos querem que, as empresas paguem as suas dívidas, sem ter o que produzir ou vender, que os particulares paguem os seus empréstimos sem receberem ordenados. Os bancos, que não souberam ter políticas de crédito seguras, exigem agora o reembolso de todas essas verbas de forma rápida e sem qualquer piedade. Entregam-se casas, vendem-se bens e mesmo assim continuam os portugueses endividados, sem emprego e sem qualquer futuro. E iguais a nós, estão muitos outros países. A origem foi a mesma e a consequência também…Todos falam e ninguém parece saber o que diz, ou no mínimo, sabem como resolver o problema. Porque não, dar prazos mais alargados para amortização dos empréstimos, ao Estado, às empresas, aos particulares e, quase que, pela metade, utilizem o esforço financeiro em medidas de crescimento económico, na criação de postos de trabalho e, a outra metade, que vá servindo para amortizar as dívidas…

Pedro Calado, Vereador do PSD na CMF