Actualmente muitos analistas financeiros consideram que temos mais de 50% de probabilidade de vermos a Grécia a sair do Euro. No próximo dia 17 de Junho, se o partido Siriza sair vencedor das eleições e conseguirem formar governo, muito provavelmente vão dizer que não querem sair do Euro, mas logo de seguida vão querer romper com o acordo de ajustamento e aí será a vez do BCE decidir se quer ter um membro que deseja beneficiar dos privilégios de pertencer ao grupo, mas que não queira pagar a factura. Isto é o mesmo de querermos fazer parte de um clube, beneficiar das instalações e aproveitar todos os benefícios e depois não querer pagar as quotas. Uma expulsão implicaria uma votação com uma maioria de 2/3 em conselho do BCE, que teria como consequência o bloqueio de todas as operações com os bancos Gregos. Se a Grécia continua determinada em não cumprir com os programas de ajustamento, não me parece que os chefes de estado europeus continuem a ser complacentes com uma situação deste tipo, e decidam carregar no botão vermelho da expulsão.

Claro que há que considerar o risco de contágio, pois Espanha e Itália perderiam desde logo o acesso aos mercados para se financiarem e necessitariam de se financiar através dos mecanismos de estabilidades europeus. Possivelmente também assistiríamos (como aliás já se está a verificar) à saída de capitais dos países periféricos. Este contágio pode ser controlado se o BCE e a Comissão Europeia anunciarem planos com medidas concretas anti-contágio. O comissário europeu do comércio veio já a publico garantir que existe um plano de emergência para o caso da saída da Grécia do euro, plano esse que evitará um efeito dominó. É de certa forma reconfortante saber que este risco está previsto e que estas entidades estão preparados para dar um ultimato final à Grécia. Uma vez que as reformas em Portugal, Espanha e Itália já estão em curso e que existem medidas anti-contagio, penso que o efeito dominó será muito controlado.

O risco de contágio é quanto a mim o pior efeito de uma eventual saída da Grécia, mas não podemos deixar de considerar o impacto nos balanços dos bancos e de outras entidades não financeiras causadas pelos eventos de default, que vão necessariamente acontecer, pois o país com uma nova moeda fortemente desvalorizada não vai conseguir pagar os seus passivos. O PIB Europeu vai também necessariamente cair pelo menos na proporção do contributo da Grécia (2%-3%) mas pode ser maior dependendo da forma como seja gerida a saída.

Para a Grécia ficar não me parece que lhes reste muitas alternativas senão cumprir com os acordos, mesmo que para isso lhes sejam concedidas medidas adicionais para acelerar o crescimento. Medidas essas que Portugal e Irlanda também poderão beneficiar.

Seja como for, se a Grécia sair ou não, fica-lhes uma grande lição: O dinheiro não é grátis!

Luís Pedro Branco, Gestor Financeiro