Recentemente, a Ordem dos Economistas organizou um evento com o objectivo de abordar a vertente cultural como forma de atrair mais turistas para a nossa região.
Conhecendo a realidade da nossa ilha, por mais iniciativas deste género que possam vir a acontecer e por mais opiniões válidas que possam surgir, a "água", essa, acaba por não cair nas nossas torneiras.
O problema não está em obter um fluxo considerável deste "líquido precioso" para a nossa região, mas sim pelo facto de que, praticamente,quase todas as torneiras estejam neste momento "obstruídas". Estamos há muitos anos cercados de pessoas com importantes funções nesta matéria e que estrategicamente não produziram nada no sentido de criar mecanismos que nesta situação crucial de procura de sustentabilidade estivessem a obter o desejado retorno.
Lembro que há mais de 15 anos já falava sobre a importância desta vertente cultural no turismo da nossa região e simplesmente recebia risos irónicos por parte de quem geria e ainda gere a cultura na nossa Terra.
Misturam-se qualificações duvidosas na atribuição de pastas e desta forma coloca-se no terminal de um bom caudal de água uma "torneira enferrujada".
A solução passaria por colocar nas áreas estratégicas, pessoas qualificadas e com provas dadas, pois na cultura também deveria haver o critério de selecção a partir da existência de diferentes "ordens" ( autores, artistas, escritores, conservadores, etc.) não deixando que desta forma outros decidam o que fazer nestas áreas do conhecimento.
Não constato que advogados, médicos, arquitectos e economistas, deixem que outras pessoas interfiram nas suas áreas sem que para isso estejam devidamente credenciados.
Luís Guilherme Nóbrega, Professor