Encontramo-nos numa sociedade desregulada a vários níveis, onde o que aparentemente é o mais correto, na prática é indubitavelmente errado e contra os princípios aceites por uma vasta população. Na mesma lógica, falamos na importância da geração futura, mas como poderemos esperar grandes feitos dos "pupilos", se não concedidas oportunidades aos mesmos? É a seleção natural levada ao extremo, onde apenas os mais 'capazes' sobrevivem, entenda-se que aqui, a 'capacidade' não é apenas em termos de competências técnicas (nomeadamente, porque vivemos num mundo dominado pelo poderio económico). Não é possível desvendar se há ou não talento, se não lhe derem oportunidades de demonstrar o que vale, e se não lhe forem proporcionadas condições que levem ao melhoramento e à otimização do seu processo de aprendizagem. Mas estas inibições começam bem cedo, desde o momento em que os próprios pais limitam o filho até tal ponto, em que não existe liberdade que possibilite à criança recriar-se no espaço, afetando diretamente o seu desenvolvimento. Qual é o objetivo? Criar analfabetos da atividade? Queremos incutir nas crianças mentalidades erradas, catalisadas pelo estatismo? É fundamental fornecer à criança espaço para brincar, espaço para elas explorarem, espaço para errarem (o erro é uma constante e faz parte da vida) e aprenderem com os erros…elas têm de sentir uma certa liberdade para escolherem o local onde querem brincar, o que querem brincar, como querem brincar e quando querem brincar (dentro de limites controláveis pelos pais, e que não prejudiquem a aprendizagem e o desenvolvimento da criança). Sintetizando, é fulcral não limitar a criança, deixando-a explorar, ou por outras palavras, confiar na criança, dando-lhe OPORTUNIDADES.
Diogo Gonçalves, Colaborador da AA UMa