Um dos meus temas favoritos é a criatividade: começar do nada e trabalhar até criar ou construir algo completo, belo e relevante. A criatividade não é só para artistas, é também para homens de negócios que querem aumentar as vendas, para engenheiros que querem resolver problemas, para pais que querem que os filhos vejam o mundo de forma diferente. Continuo a defender que é na criatividade que pode residir a nossa "reinvenção", especialmente nos tempos que correm: a adversidade (tal como a necessidade) devia gerar criatividade e novas invenções. Todos os países têm os seus problemas - a chave está nas soluções criativas que os resolvem. Vejamos o caso de Israel: 95% do seu terreno é semiárido, árido ou híper-árido e a água é um recurso extremamente escasso. No Kibbutz (colectivo) Mashabbe Sade, no deserto do Negev, tentaram procurar água nas profundezas, e cavaram poços de mais de 800 metros de profundidade. Encontraram água, mas era quente (36 graus) e salgada. Inútil? Não. Foi aproveitada duas vezes: colocaram esta água em tanques usados para a criação de peixes de água quente para a indústria alimentar. Depois do seu uso na produção piscícola, esta água (cheia de excremento e desperdícios resultantes deste processo) foi usada como fertilizante no cultivo de oliveiras e tamareiras. Se os kibbutzniks de Mashabbe Sade conseguem criar peixes no deserto, do que estamos nós à espera para rentabilizar os nossos abundantes recursos disponíveis de forma criativa?
Roberto Macedo Alves, Desenhador de BD