A última Conferência Anual de Turismo constituiu-se, uma vez mais, num momento de reflexão de inestimável partilha de ideias e conhecimento. Contudo, estranhamente, um dos aspectos mais marcantes para mim, condicionado que estou pelo nosso contexto, foi o hino à serenidade, à educação, ao civismo, à deferência pelo próximo e pelos diferentes pontos de vista, valores que elevaram o debate e o confronto de ideias para patamares que geraram uma genuína e saudável terapia de grupo. Senti, numa conjuntura de crise e de ausência de desígnios convincentes, um entusiasmo e uma alegria nas conversas que sugere que é possível, sem barulho, construirmos um caminho de futuro para a nossa economia, para o nosso turismo. Mas também ouvi na assistência, mais do que uma vez, que a excelência e o esforço pouco valem, porque nada acontece por muito que se fale. Ora, não posso estar mais em desacordo. Vale sempre a pena ter, como princípio, nunca desistir, defendermos os nossos pontos de vista e transformar os nossos incómodos nos incómodos dos outros, para que o debate seja transportado para o espaço do terreno fértil. Os defensores de novas visões para o turismo (que vivem actualmente no agasalho da crítica em circulo restrito) têm obrigação, têm a responsabilidade - tal como as elites da cultura - de deixarem o conforto do debate hermético para uma exposição mediática que os tempos actuais exigem para que o silêncio dos "bons" deixe de se constituir no principal pilar de suporte ao festim dos modelos viciados e economicamente não estruturantes. Mas acima de tudo, neste fórum, voltei a acreditar no turismo porque quase não se falou de turismo, não se falou de acessórios, falou-se do ESSENCIAL, recolocando o nosso PATRIMÓNIO CULTURAL como ACTIVO CENTRAL do nosso Produto Turístico. Esquecemos por momentos, felizmente, as causas aparentes que nos têm entretido nos últimos anos para a má performance das nossas receitas turísticas: a promoção, a animação, as taxas aeroportuárias, o transporte aéreo, tudo questões sem solução consistente enquanto a construção (demolição) do nosso PRODUTO TURÍSTICO continuar num processo de verdadeiro " INSULTO À DIFERENCIAÇÃO". Em suma, temos de dar um salto da cultura dogmática (pública e privada) do "Turismo de Betão" gerador de preços de empobrecimento para uma cultura do "Turismo de Identidade" num autêntico "ELOGIO À DIFERENCIAÇÃO".
João Welsh