O campeonato do Inatel é o que está a dar, e face aos atrasos e incumprimentos por parte das entidades oficias aos clubes federados é natural que futuramente aumente o número de equipas que venham a participar na competição para trabalhadores. É mais fácil, os custos com a organização são mais baixos e o campeão tem presença garantida a nível nacional. E com a nova orgânica que começa a funcionar já a partir deste fim-de-semana, no modelo de 'bota-fora', o número de presenças no continente poderá aumentar até às quatro. Face às incertezas que pairam nos apoios ou na falta dos mesmos, o regresso total ao amadorismo por parte dos clubes federados será inevitavelmente uma realidade, a modos de um regresso ao passado, cabendo aos seus dirigentes decidir o que será melhor. Não vale a pena criar falsas expectativas, porque apenas o Marítimo, Nacional e União…até são demais… irão ter apoios governamentais suficientes para o futebol profissional, e uma Serie Madeira da III Divisão ou Campeonato Distrital vai dar tudo ao mesmo, ou seja, nos moldes atuais não é atrativo nem dignificante nem motivante para jogadores, dirigentes ou emblemas. Com uma simples quotização os clubes fazem os seus atletas sócios do Inatel e depois não têm mais que se preocupar com as arbitragens, policiamento e outros encargos porque o Instituto dos Trabalhadores paga tudo. Os clubes federados poderão questionar-se se não será um revés optar por competir no Inatel, mas será obviamente mais dignificante do que fazerem vida de ricos e não terem dinheiro para mandar cantar um cego. Maior revés será para os jovens madeirenses que ambicionam ser profissionais de futebol… quem manda e dá o dinheiro esqueceu-se de os proteger…, mas antes haver dinheiro para a saúde, educação e pagamento das empresas, etc, que garantem postos de trabalho, do que alimentar vícios. Com a nova ordem que aí vem…ninguém sabe que futuro nos reserva mas será certamente pior…é natural que cresça o número de equipas seniores nos campeonatos do Inatel, que muitos troquem o futebol federado e mais exigente pelo total amadorismo, sem tanta rigidez e assiduidade aos treinos, mas será importantíssimo que o excelente trabalho que está a ser levado a cabo pela AFM na área da formação, essencialmente nos escalões mais baixos se mantenha, e que os clubes federados continuem a apostar nos mais jovens para poderem exercer a função social na razão da sua existência.
Miguel Justino - Repórter