Duarte Nuno Gouveia O último grande incêndio que devastou a Madeira consumindo cerca de 10% do seu território foi uma verdadeira tragédia à escala regional. Pelo impacto ecológico, pelas consequências económicas, e pela segurança de pessoas e bens agora mais debilitadas quando expostas a condições de grande pluviosidade. O preço mais forte da devastação foi a quase total destruição do parque ecológico e a colocação em risco de extinção extremo da Freira da Madeira. Uma maravilhosa ave, um ícone da Madeira. A floresta dá corpo à beleza majestosa das nossa montanhas sendo esta harmonia o principal activo da região devido à sua crucial importância para nós mesmo enquanto residentes mas para a actividade daí frucralmente depente, o turismo. A floresta representa também um dos principais tampões em matéria de protecção civil das populações contra os efeitos de potenciais aluviões cujo ciclo de recidivas tende a encurtar. Posto isto, tendo em linha de conta a sua importância estratégia crítica, a área ardida no último grande fogo expõe ou não vulnerabilidades nos mecanismos de defesa integrados que a região dispõe para este tipo de flagelo? Mais, tendo em linha de conta a inevitabilidade das alterações climáticas, ou seja o aumento da prevalência deste tipo de fenómenos, estamos ou não obrigados a reconfigurar as nossas defesas contra este tipo de eventos? Será que a região corre o risco sério de uma nova época de incêndios a curto prazo de consequências devastadoras? E isso ocorrer nesta fase, em que a recuperação ainda é embrionária os seus efeitos não iriam introduzir um factor multiplicador de descompensação ecológica e económica de consequências inimagináveis? A uma das questões, a terceira, respondo - bastando-me apenas a autoridade do senso comum - que sim! De resto, os indícios deste ano em termos do número de fogos é francamente alarmante. Compete às autoridades regionais com competência na matéria - a sociedade civil precisa também de ser despertada para este problema - realizar o debate desapaixonado que se impõe analisando com rigor e exigência o que esteve menos bem no último grande evento. A defesa da floresta deve ser considerada uma das principais prioridades estratégicas da região. A nossa vulnerabilidade é flagrante. Temos que nos adaptar. Do resultado de um estudo sério, profissional, descomprometido, deveria ser apresentado ao Governo Regional um plano estratégico agressivo de combate aos incêndios florestais que implica reforço, modernização, e finalmente, diversificação de meios e estratégias. Representa despesa? Sim despesa, mas essa despesa não é despesa. É investimento. Investimento, pelos os aspectos críticos de natureza ecológica, económica e de segurança das populações que sucintamente procurei elucidar. Os Madeirenses em primeiro lugar!