Já lá vão os dias em que se depositava esperança nos grandes ideais político-ideológicos para promover o nosso bem estar e progresso. Na prática a diferença entre governos ditos de esquerda e de direita são muito poucas. Já percebemos que nenhum consegue garantir o que se disse serem direitos adquiridos. Fomos iludidos. A diferença aparentemente estrutural entre esquerda e direita é fictícia, pois todos estão ao serviço de um patrono impositivo; o actual modelo de crescimento económico. A subserviência a este modelo, e aos interesses declarados dos grandes grupos económicos, restringe em muito a margem de manobra dos governos. Esta situação é efectivamente um dos maiores entraves à mudança. O nosso sistema educativo sobre-valoriza a competição, a formação específica, a individualidade em detrimento de uma educação integral que valorize a cooperação e contribua para o desenvolvimento de valores emocionais e pessoais como a generosidade e outros éticos humanistas. Este modelo de ensino pode parecer estar afinado para o actual modelo económico em que cada individuo desempenha metodicamente a sua tarefa na grande engrenagem, no entanto ao providenciar uma formação desequilibrada do potencial dos jovens, não está a contribuir para formar adultos com maturidade ética. Se não é necessário invocar a ética para o funcionamento de uma máquina, o mesmo já não se pode dizer de pessoas em cargos políticos cuja 'máquina' que visam operar é a sociedade como um todo. Sem ética e com valores individualistas, pessoas em cargos de elevada responsabilidade tendem a aprofundar as divisões fictícias a que se aludiu e para esse fim podem colocar interesses pessoais, partidários e outros àfrente daqueles que deviam estar a servir, nomeadamente o bem comum. As recomendações não são fáceis, mas são necessárias, é necessário abrandar o ímpeto consumista e fomentar hábitos de consumo mais sustentáveis, portanto mais éticos e educar desde cedo para esses valores. É necessário criar condições para reutilizar e recuperar os produtos, é necessário consumir e produzir localmente os alimentos, a energia entre outros. A economia adaptar-se-á. O PAN - Partido pelos Animais(humanos e não-humanos) e pela Natureza reclama a necessidade de construir um futuro com base em aspectos que nos unem e bater-se-á pelo reconhecimento da crucial importância de se projectar um futuro em que a convivência entre todas as espécies do planeta seja harmoniosa e em respeito pela natureza.
Rui Almeida, Presidente do PAN-M