José Sabino Muito se tem falado ultimamente das finanças e economia do nosso país, e em particular sobre a sustentabilidade da Segurança Social. Embora eu esteja a sofrer na pele as consequências de tudo isso, admito não perceber muito do assunto, portanto não posso aprofundar o tema nem oferecer soluções milagrosas. Posso e devo, no entanto, trazer ao público o meu caso. Eu, até há pouco tempo tinha um trabalho de que gostava e pelo qual era relativamente bem pago. Pagava os meus impostos e contribuições e era um cidadão cumpridor dos meus compromissos financeiros. Agora, fui dispensado do meu trabalho, deixei de contribuir e juntei-me àqueles que precisam de receber o "desemprego" para sobreviver. Fui substituído por um senhor reformado (com uma boa reforma do "governo", um pouco mais velho que eu), que trabalha mais barato, não contribui para a segurança social nem declara às finanças aquilo que ganha no meu antigo trabalho, pois é pago em dinheiro pela "Porta do cavalo" e, ainda por cima, para contribuir mais para a economia do país ,e porque pode, faz férias no estrangeiro 2 a 3 vezes por ano. Eu, o "ex-bom" cidadão, por ter compromissos (aos quais já vou faltando) e família para alimentar e educar. Como o dinheiro do desemprego não chega, e enquanto não consigo uma declaração do IRS que me permita requerer abonos, Ação Social e bolsas de estudo, vejo-me obrigado a procurar alguns biscates e part-times ilegalmente, contribuindo assim, para pôr mais alguém como eu no desemprego, provocando um "Efeito Bola de Neve". Meus senhores, eu sei que é difícil porque muitos dos nossos senhores doutores e decisores querem uma "teta" para mamarem quando forem para a reforma, mas, já chega! Nenhum reformado, com reforma acima do salário mínimo, deveria poder trabalhar por conta de outrem, exceto aqueles que tenham conhecimentos, habilidades, capacidades técnicas ou formações académicas únicas e insubstituíveis. É fácil! É só querer. Tenho a certeza que existem milhares de casos como o meu pelo país todo. Façam as contas.