Decidi escrever sobre este tema pois em breve abrirão as candidaturas para estes dois cursos em funcionamento na Madeira. Durante mais de vinte anos, lutamos, persistentemente, para que fosse possível os nossos jovens frequentarem estes cursos superiores na Madeira, o que veio a acontecer, apenas, em 2008, através de duas Instituições Superiores com sede no Continente, respectivamente, o Instituto Superior de Ciências Educativas e a Escola Superior de Educação de Setúbal. Nestes últimos quatro anos, cerca de oitenta alunos passaram pela Licenciatura e cerca de setenta pela Pós-graduação/mestrado, com um sucesso assinalável. Não temos dúvidas em afirmar que hoje temos docentes mais bem preparados para a leccionação desta área do currículo do ensino básico, do que no passado. Contudo, os desafios que se colocam hoje à escola, e consequentemente, ao professor, requer deste uma actualização permanente e, quiçá, uma atitude investigativa das suas próprias práticas e dos seus alunos. Neste sentido, aconselhamos, vivamente, a todos os docentes que ainda não frequentaram a Pós-graduação/mestrado, que se inscrevam e invistam na sua formação. Este período em que vivemos, de grandes dificuldades e incertezas, é profícuo no desânimo, na desmotivação e no desinvestimento pessoal dos profissionais, pois estão mais preocupados em garantirem um posto de trabalho do que investirem na sua própria formação contínua. Em nosso entender, deve ser exactamente ao contrário, devemos, todos, estar conscientes dessa importância estratégica para garantirmos um futuro mais sólido, quer para nós, quer para aqueles que dependem de nós - os nossos alunos -, que devem receber a melhor preparação possível para enfrentarem o seu próprio futuro com competências acrescidas e em várias áreas. De um professor melhor preparado, resultará um aluno melhor formado. Àqueles jovens que terminam o secundário e que gostariam de ser profissionais nesta área, o nosso conselho é que, independentemente das ofertas de trabalho, devem seguir o curso que mais se sentem vocacionados, pois o mais importante será a vossa própria felicidade. As oportunidades irão sempre surgir, em Portugal ou no estrangeiro, mas sem qualificações, de certeza, será muito mais difícil aceder a um posto de trabalho, independentemente da área. Acreditamos que as Artes podem dar um forte contributo à renovação económica e social, pelo que, profissionais qualificados serão bem-vindos ao mercado de trabalho.
Carlos Gonçalves, Docente do Ensino Superior