Lídia Neves No dia 4 de Abril, fui surpreendida com a notícia da morte do caro amigo João Martins, em Moçambique. Um choque! Um abalo, um turbilhão de sentimentos, um estonteamento sem saber como tornear a dor, a aceitação pelo desaparecimento físico de um grande homem. Em sua homenagem e a Machico, terra onde nasceu e de que tanto gostava, e também para meu alento, decidi delinear um pouco o perfil da exemplar personalidade do carinhoso João Martins. Possuidor de uma simpatia contangiante e de uma bondade admirável, dotado de uma inteligência brilhante e de elevada competência profissional demonstrada, num crescendo positivo, ao longo da sua vida: Como filho, irmão, estudante, como jurista, como presidente do Tribunal Administrativo, como presidente do Supremo Tribunal de Justiça de Moçambique e como docente universitário, igualmente reconhecida na sua morte, entre outros, nos excertos seguintes: “Morreu (...) o decano, jurista e docente universitário João Manuel Martins, um dos pais do Direiro Moçambicano e um dos principais actores na montagem do sistema judicial administrativo nacional.” Carlos Serra, da Universidade Eduardo Mondlane. E no comunicado oficial da Direcção do Tribunal Administativo de Moçambique: “A morte do Dr. João Martins significa uma grande perda para o sector de Administração da Justiça no nosso País, deixando-nos um belíssimo exemplo de dedicação ao trabalho e, no que tange aos misteres da justiça moçambicana, um profundo e abalizado apego à prática da justiça equânime”. Toda esta valorização, pessoal e social, encontrava-se envolta de um véu de simplicidade admirável que só os grandes homens possuem. A par da saudade, o grande João Manuel Martins, fica gravado na lembrança orgulhosa, serena e grata por ter tido o privilégio de conhecer e de ser amiga de um tão elevado machiqueiro que transcendeu as fronteiras da mediocridade, afirmando-se como um exemplar patriarca a nivel familiar, como irmão, como amigo, como elequente pensador e excelente profissional, que no meu entender, ficará no pódio de um dos grandes filhos de Machico. Um bem haja amigo João, onde quer que te encontres!