O fenómeno da globalização tem um papel integrador entre as diferentes nações e influencia as mais diversas áreas. O futebol, enquanto modalidade desportiva global, é também influenciado por este fenómeno contribuindo, para isso, a crescente e cada vez maior mobilidade dos jogadores entre clubes e países. Estando inerentes aspectos extremamente positivos, esta tendência vê surgir e proliferar atitudes e comportamentos racistas que, num mundo informado e intercultural, seria expectável não existir. Estas manifestações de ódio assentam em ideias pré-concebidas e estão muito para além do futebol. Nos palcos destas competições as suas formas de manifestação são várias, dentro e fora de campo. As ofensas verbais entre jogadores vão sendo uma constante e nem os treinadores ou os árbitros escapam. No entanto, é fora das quatro linhas que esta problemática adquire maior dimensão e expressão: fanáticos entoam cânticos, exibem faixas e têm gestos de índole racista, fazendo com que alguns jogos tenham sido interrompidos ou, pura e simplesmente, abandonados por jogadores cujas ofensas não conseguem tolerar até os 90 minutos. Importa, sempre, distinguir paixão de atitudes menos próprias. Um erro muito frequente é associá-las e confundi-las com clubismo. Mas essas manifestações de teor racista não podem ser tidas como normais aquando a exteriorização de sentimentos vividos durante uma partida de futebol. Estes comportamentos não podem ser relevados por acontecerem no calor do momento. Não podem cair no esquecimento e não serem debatidos por ser algo já muito falado. Temos que repudiar quaisquer manifestações racistas para que possamos usufruir desta modalidade durante muito mais tempo e falar delas é sempre o primeiro passo. Clubismo é ser fã. Racismo é ser fanático.
Marcos Nascimento, Colaborador da AAUMa