O certinho ministro das Finanças enganou-se. O primeiro-ministro e o ministro-adjunto também. Vítor Gaspar, Pedro Passos Coelho e Miguel Relvas enganaram-se os três no mesmo tema, na mesma data, na mesma facada que deram aos portugueses: afinal, aquilo da reposição dos subsídios de férias e de Natal, que Gaspar, Passos e Relvas juravam que aconteceria a partir de 2013... só vai acontecer a partir de 2015. E gradualmente, que é como diz, aos bocadinhos. Foi um lapso, disse um atrapalhado ministro das Finanças no Parlamento. E pronto, o português é benevolente, compreensivo, amigo do seu amigo, e perdoa o lapso. Quem nunca se enganou que atire o primeiro subsídio. Outra pequena falha de que só nos apercebemos nos últimos dias: afinal, o dinheiro que nos vão emprestar não chega para pagar a dívida da Madeira. Resultado, diz o ministro das Finanças: a Região, que vive em claro sufoco financeiro, vai ter de gerar aquilo a que os técnicos chamam de “excedentes orçamentais”. Ou seja, uma terra que não tem dinheiro para pagar o que deve, vai ter de arranjar lucros. Aqui, confesso, serei eu que estou enganado, por não compreender como é que os cofres de uma Região que tem de inventar 3,5 mil milhões para pagar até 2015 vão ainda gerar qualquer tipo de excedente... a não ser de dívida. Outro erro: o Tribunal de Contas fez saber esta semana que detectou um engano nas contas do Serviço Regional de Saúde. Que, por lapso, pagou a um médico madeirense a simpática quantia de 333 mil euros, livres de impostos. O engano, neste caso, refere-se a um período superior a uma dúzia de anos, entre Julho de 1998 e Março de 2011. Mas terá sido apenas um engano e, compreensivo como é o povo madeirense, não se fala mais nisso. E se for chamado a falar sobre o caso, acredito que o actual secretário dos Assuntos Sociais dirá que 333 mil euros são uma gota no oceano da sua Secretaria. E bola para a frente. Se estes foram apenas alguns enganos da Semana Santa, imagine o leitor os pecados que não se cometeram nas outras 51 semanas de cada um dos últimos 30 anos. Deixe estar, não vale a pena fazer contas. Em vez de olhar para o mal feito, mantenha-se atento. Participe, pergunte, atreva-se a discordar, ou a concordar, quando for caso disso. O importante é que tenha opinião e não se deixe enganar. Para variar, fiz um esforço para não escrever sobre o presidente do Governo Regional e do PSD-Madeira. Primeiro, porque é melhor não comentar ainda a situação do PSD sem que se anunciem mais uma catrafada de candidatos, mas daqueles que só avançam ao sinal do chefe. Segundo, porque neste tempo de perdão não ficava bem perguntar ao presidente o que faz na bela praia do Porto Santo quando o povo anda por aí à rasca. E terceiro, porque acabo de abrir um exemplar do Jornal da Madeira e quase fiquei emocionado com as fotografias das duas primeiras páginas: numa, o homem aparece descontraído, peito aberto, manga curta a comparar o CDS à UDP; noutra só lhe mostram a cabeça a emergir de mais um mergulho. E andamos nisto: gente desempregada, famílias aflitas, empresários a falir, o sistema a ruir, nós a pagar e o presidente... bom, o presidente... nada!