Ontem, enquanto ouvia o debate na Assembleia da República, fui ficando com a sensação que os deputados e ministros ainda não entenderam exatamente o seu papel, enquanto representantes do povo que os elegeu para governarem o país. Dá a sensação que independentemente das dificuldades do país e do seu nível de gravidade, os senhores deputados e membros do governo brincam com as palavras, num jogo confuso e estonteante que provoca inquietação e medo, em vez de confiança e segurança. O que precisávamos de ouvir e sentir é que todos os nossos sacrifícios, repito SACRIFICIOS, fazem parte de uma estratégia sólida, construída por um governo sensato e ponderado, e por uma oposição atenta, critica e cooperante. A realidade que vivemos, insensatamente conduzida por anteriores governos, e suportada por uma oposição egocêntrica, trouxe-nos aqui. Esta situação limite, devia ter obrigado todos, e repito TODOS, a parar para pensar e perceber que o caminho do egocentrismo e dos interesses pessoais, partidários e de grupos de influência, vai arruinar o pouco que nos resta. Chega de mentiras, de desculpas sem nexo, que nos faz sentir idiotas e tontos, desprovidos de capacidade critica e de raciocínio lógico. A Assembleia da República é um lugar sério, onde todos os intervenientes deveriam ter como denominador comum o equilíbrio do país e o bem estar de todos o que dele fazem parte, e todos os dias colaboram e participam com empenho e rigor. Falo por mim e por muitas e muitas pessoas que conheço. Os senhores deputados e membros do governo são apenas funcionários públicos, como muitos de nós, que têm o privilégio de ter competência para em conjunto e em democracia darem o seu melhor, independentemente das regalias, subsídios ou qualquer tipo de bónus. Como todos nós, trabalhar com garra e afinco, para inverter a realidade em que nos encontramos. Espera-se e exige-se que sejam pessoas sensatas, inteligentes, cultas, empenhadas, sérias, rigorosas, verdadeiras, honestas solidárias, e que saibam e queiram trabalhar em rede com base na aceitação do melhor de cada um, numa critica construtiva. É uma vergonha o que diariamente acontece nos parlamentos, a antítese da democracia e do respeito mútuo. O pior exemplo de civismo e cidadania. Pergunto-me por isso, porque aceitamos nós que tudo isto continue com a nossa aprovação. Não tenho uma resposta imediata nem quero parecer insensata, mas de uma coisa estou certa, este modelo não serve. As provas estão dadas! O exemplo de um anterior chefe de estado, relatado esta semana, em excesso de velocidade, só confirma como este é o caminho errado!

Manuela Parente, Psicóloga