Gaudêncio Figueira A 13 de Fev. p.p. insurgi-me contra aquilo que na altura me pareceu, no mínimo, falta de humanidade. Secamente dera-se conta que os doentes em tratamento oncológico tinham de esperar até que houvesse dinheiro. Na 4ª Feira, dia 4 de Abril p.p., na pág. 3 do DN, dizia-se que o SESARAM recebera €11,4 milhões para consumíveis essenciais à prestação de cuidados de saúde. Era a palavra de um vogal do Conselho de Administração. Legítimo seria que sossegassem os espíritos dos doentes e seus familiares. Pessoas já suficientemente atormentadas pela doença e que, de bom grado, dispensavam a falta de medicamentos. Lendo, com atenção, a notícia na totalidade ficam a pairar algumas dúvidas nos nossos espíritos. O coordenador da gestão financeira demite-se. Admite-se que o fizera por discordância com as prioridades seguidas nos pagamentos. Um Sr. enfermeiro afirma que …"na oncologia as situações são muito bem analisadas antes de se iniciar qualquer tratamento, sendo um dos parâmetros em análise a esperança média de vida". Uma médica falando em nome da respectiva Ordem diz…"seguir com a maior atenção a situação da hemato-oncologia, onde estão a ser revistos protocolos, nomeadamente para fazer face à interrupção de fornecimento por parte da Roche. O problema são aqueles medicamentos para os quais não há substituição". Face ao que se lê, há razões para dúvidas. A Liga Portuguesa Contra o Cancro, para além de tudo quanto de bom já faz, deveria ter uma intervenção, acertada com os médicos, esclarecedora deste imbróglio. Apoiaria os desamparados médicos que, algo violentados, têm que analisar a esperança média de vida antes de decidir quem vai ou não ser tratado. É um grande esforço, não duvido. Traria, porém, algum sossego ao triângulo: médicos, doentes, família. Infelizmente, caro leitor, falhando o critério da esperança de vida, cuja aplicação tanto deve custar aos médicos, podem surgir outros bem mais terríveis e que a história já condenou.