Tantos rostos enchem a história da "via crucis" dos dias contados do sofrimento, de gente que morreu sem saber qual a cor da liberdade, nem o odor dos direitos. Destaco o percurso de Inês Afonseca. Desconhecerá esta invocação, mas a sua história materializa as possibilidades da libertação de um Povo. A sua trajectória é a do Povo que venceu, superou a noite mais triste e o tempo de servidão. Hoje tão vulnerabilizada, tal como está o Povo, perguntam-te: lutar tanto para quê? Presidente da União dos Caseiros da Madeira, em entrevista (1980) disse: "Quando o caseiro ia pagar a renda ao senhorio e este dizia "mande-me cá a pequena" já se sabia… Exploravam o trabalho dos filhos e desgraçavam-lhes as filhas… o 25 de Abril é que fez mudar muita coisa. Eu digo: foi a maior alegria da minha vida, maior do que quando me casei. Muitos caseiros sentiram este grande acontecimento como se fosse uma dádiva dos céus". Ouvi à Gi, ao Bernardino… muitas das acções da mulher afoita, da corajosa abnegação. Ainda vi lágrimas tuas no contar da grande mudança que ia entrar pelas casas. Soubeste fazer frente. Deste passos de quem não recua, de quem lutou valorosamente, sem esperar prémios dos tormentos. Lutar tanto para quê? A luta nunca foi vã! Levanta outro amanhã, transforma a sociedade, tal como conseguiste transformar o tecido em peça de vestuário. Das tuas mãos sairá um mundo novo. Será Páscoa! "E as mãos já não são tuas. Pertencem ao nosso povo". Inês, um beijo!
Edgar Silva, Líder do PCP-Madeira