Nada será igual depois de Abril. Refiro-me não ao 25 de Abril, marco importante no percurso democrático de Portugal, mas ao 1 de Abril de 2012. Este 1 dia Abril marca a negação das especificidades regionais com o fim da descriminação fiscal positiva duma região, outrora reconhecido meio para o seu desenvolvimento. Todos nos lamentamos e lamentaremos nos próximos tempos, tanto quanto mais agentes económicos vieram a acusar o peso dessa carga. As infraestruturas estão cá e delas devemos beneficiar. Se pudéssemos, provavelmente abdicaríamos de algumas, uma vez que nos apercebemos agora que nos custam mais do que pensáramos. Perante a fatalidade de não as podermos destruir ou alienar de forma a reduzir o endividamento e a escassez de recursos com que nos deparamos, não nos resta alternativa senão potenciar o orgulho regional (entenda-se "orgulho regional" como o orgulho na nossa terra, no nosso trabalho/empregador, na nossa família e nos valores que nos foram transmitidos), fomentar e divulgar as marcas da nossa identidade, as especificidades culturais que nos unem e das quais nos devemos orgulhar, de forma a fazer crescer os fluxos turísticos e a produtividade da nossa pequena economia regional. Não apelo como outrora o seleccionador nacional à exposição desse orgulho via hastear de bandeiras mas proponho que trabalhemos para reduzir o período de reestabelecimento da normalidade nas nossas vidas, ao invés de despendermos energias e tempo com lamúrias e praguejos como se as infraestruturas e o desenvolvimento de que a Madeira beneficiou se tivessem evaporado. Caminhos alternativos poderiam ter sido seguidos. É inegável! Discutível será para onde nos teriam levado. Resta-nos o futuro! Esse futuro constrói-se com trabalho, empenho e determinação, tendo presente a necessidade de não voltar a cometer os mesmos erros.
Rui Gomes Coelho, Economista