Várias universidades do país elaboram inquéritos para aferir a quantidade de alunos que passam dificuldades económicas no ensino superior. Que surpresa (ou não) foi a minha ao ver os resultados. Quase metade dos alunos do ensino superior atravessa dificuldades económicas. Uma grande parte não se sente preparada para entrar no mercado de trabalho e muitos deles temem abandonar o ensino superior. Este, e muitos outros, foram os motivos para os apupos que o Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, foi alvo, à entrada e à saída, na cerimónia de encerramento do centenário da Universidade do Porto. É dever dos alunos apostar na sua educação, como também é dever do Estado ajuda-los a conseguir os seus objectivos. É triste ver jovens com sonhos e com objectivos de vida a não os atingirem, meramente por motivos económicos quando têm excelentes capacidades. Enquanto isso, nos mais novos, é de louvar a atitude do ministro Nuno Crato em incluir, na reforma curricular, a introdução de exames nacionais no 4.º ano e o fim da Formação Cívica, uma disciplina onde basicamente os alunos não fazem nada do que seria suposto e que serve, mera e exclusivamente, para ocupar espaço no horário. Temos que esquecer um pouco as estatísticas e apostar na qualidade do ensino e na excelência dos nossos alunos, deixando que as estatísticas europeias não sejam o principal motor para a educação em Portugal.

Rúben Castro, Colaborador da Associação Académica da Universidade da Madeira