Entristece-me ver um PSD-M cristalizado; com medo de mudança, fechado sobre as suas cúpulas e orgãos; amedrontado com a diferença de discursos a que estava habituado; que recorre à ameaça em vez do diálogo; que quer impor em vez de ouvir e se recusa a ir a votos de acordo com os estatutos. O actual líder deve ter uma postura neutra, mostrando que gerou toda uma geração de gente válida, capaz e competente para liderar, gerir e governar a Região, em vez de dar a imagem que não confia nas capacidades da geração mais nova do seu partido, que centralizou demasiado o poder e não fez escola sólida nos seus Delfins. Só um candidato se mostrou suficientemente seguro das suas capacidades e competências para se candidatar sem muletas, sem padrinhos. E qual a reacção do partido a esta realidade?! Tentar destruir a única via diferente, com ataques sórdidos e fazendo uma interpretação algo lata dos estatutos do próprio PSD-M. Pergunto-me, se existem estatutos, estes não são para serem cumpridos tal como está escrito? É esta a democracia que defende o PSD-M para o Partido e para a Região Autónoma da Madeira? Se nos estatutos diz que o congresso é de 2 em 2 anos, antes de Abril 2013, só porque dá jeito a alguns, o congresso pode ser adiado sem problemas, como se insiste no atropelo dos estatutos? Não esqueçamos que foi com atitudes destas, de atropelos de leis só porque não dava jeito no momento, que a Madeira ficou conhecida por ter andado a esconder as contas...Parece que ainda não se aprendeu com os erros...Gostava de ver mudanças de atitude neste processo interno do PSD-M, um partido com mais liberdade, com verdadeira Democracia, aberto à diferença de opinião, sem inimigos, mas com adversários, sem ameaças, mas com troca de ideias... Um partido que nos mostre que não é uma ameaça à Democracia madeirense, mas que faz parte, juntamente com os demais partidos, da construção da Democracia Madeirense.
Raquel Fraga - Historiadora de Arte