O Abril dos cravos, dos sonhos e da libertação está vivo. Mesmo que pouco mobilizador nos palcos principais, permite localmente a afirmação de sinais de inconformismo que encorajam à mudança, primeiro de comportamentos e de mentalidades, depois, quem sabe, de consciência cívica e de sentido de voto. Valeu a viragem operada em 1974, a mesma que nos faz chegar à certeza que importa continuar a lutar por direitos e valores adquiridos, alvos de ameaças que os tornam precários, como bem recordou a presidente da Assembleia da República. Assunção Esteves não tem dúvidas que "a democracia tem hoje a sua prova de fogo no bem-estar social e económico dos indivíduos e dos grupos". A prova cabal exibe-se com regularidade nesta Região sem fundos, sem oportunidades e sem esperança. O povo em sofrimento pela forma como foram mal geridos os dinheiros públicos, para além de sequestrado há mais de 30 anos numa democracia vigiada e na Autonomia asfixiante e de ter sido refém de atitudes reprováveis, é agora humilhado com frequência pois à Madeira e aos madeirenses são imputados crimes. Não admira que, por estes dias, sem bombas intimidatórias, mas em manifesto conflito com as manobras de diversão, foi audível o estrondo do espírito da revolução. Ecos de um PSD-M que se fartou das agendas dos maquinistas, que já desobedece às ordens supremas e que está obrigado à renovação. Ecos de descontentamentos diversos que a oposição começa a trabalhar, qual terreno fértil para a "convergência na acção'. Ecos dos fiéis a Deus da paróquia de Santa Cecília que foram à sua vida, sem esperar pelo monólogo inconsequente do Presidente do Governo. Viraram-lhe costas, coisa que a soberania nacional sempre fez, embora para evitar desconsiderações tresloucadas, pois teve acesso em tempo útil a elementos de sobra para intervir com firmeza e evitar o descalabro. Se o fizesse, o DCIAP estaria hoje noutras paragens e os madeirenses não estariam sujeitos a um resgate doloroso. O Estado só acordou quando se apercebeu que foi lesado. Daí a descrença instalada, apesar do nervosismo evidente, que é pista a seguir. Quando a justiça finalmente dá indícios que funciona, Jardim questiona a legitimidade da entidade nomeada como órgão de polícia criminal; questiona o 'timing' de uma investigação, por ser passível de análise política; questiona a abordagem da GNR, por configurar sequestro; questiona as notícias e os títulos, processa jornalistas e manda abrir inquéritos… E o essencial, a causa das coisas que Abril quis que fosse transparente? Carlos Pereira Líder parlamentar do PS-M Em pleno tempo de cerco ao poder, promoveu jornadas abertas a toda a oposição. Revelou visão e ficou com trunfos para a acção. Rubina Santos Designer O design da edição de 2011 do 'ON by Porto Bay' foi premiado pela HOW. Mérito para o trabalho criativo de quem comunica com arte. Nuno Serrão Artista Por ser inovador, o seu 'Project Paperclip' será exibido na Califórnia e em Londres. A internacionalização é o caminho para quem tem talento. Celso Almeida Presidente da AD Camacha Questionar sem rodeios a política desportiva numa entrevista com reparos consistentes às opções do GR é arriscado. Mas só assim se ganha. José Pedro Pereira Líder da JSD A imunidade existe para que haja denúncia séria no Parlamento. Logo, é para preservar, salvo quando confundida com impunidade.
Abril vivo
A revolução faz-se hoje com dor. Não é fácil zelar pela democracia atenta e vigilante