No passado dia 10, Sérgio Aníbal, editor de economia do Público, destacava na sua rubrica que o governo de Espanha seguia o exemplo do de Portugal na adopção de medidas de austeridade, contendo a despesa pública para reduzir o défice para os 3% do PIB em 2013. Dizia o mesmo jornalista que Mariano Rajoy pretendia reduzir em 10 mil milhões de euros as despesas na Educação e na Saúde, que representam 10% da despesa pública de Espanha, segundo o El País. Qualquer pessoa, por mais distraída que seja, sabe perfeitamente que o desenvolvimento de um país, o seu crescimento económico, o seu desenvolvimento social, passa primeiramente pela criação de recursos humanos capazes de responderem às necessidades desse mesmo país. Essa ideia esteve na base do Tratado de Lisboa que lhe chamou Sociedade do Conhecimento, e a apontou como via para assegurar a competição face às economias mundiais já firmadas e emergentes. Um corte de 10 mil milhões de euros em áreas de desenvolvimento pessoal, como a Educação e a Saúde, poderão pôr em causa a formação e manutenção de recursos humanos em Espanha? Sim, é óbvio. Chegar-se-á a um ponto que pela falta de qualidade de vida, muitos espanhóis optem por emigrar, levando consigo o seu potencial, oferecendo-o de bandeja a outros países. A mim assusta-me pensar que as modas de Lisboa sempre andaram de mãos dadas às de Madrid e se esta não for excepção, lá se vai a Saúde e lá se vai a Educação.

Carlos Diogo Pereira, Colaborador AAUMa