Fátima Nascimento Se há um lado verdadeiramente negro da crise não é certamente a falta de dinheiro mas as pessoas. Não são todas. Aliás, há um traço que as diferencia de forma inconfundível: enquanto as "pessoas de Bem" se mantêm iguais ou melhores, as "pessoas de mal" têm tendência m mostrar o seu lado mais obscuro. Teremos de excluir obviamente aquelas que mantém a sua máscara a todo o preço, agindo nas costas dos demais para não correrem o risco de serem desmascarados. É o que se tem verificado ultimamente. São as pessoas que fazem as crises e acabam com elas. Agora, ponham estas "pessoas de mal" a trabalhar e vejam o que resulta do trabalho delas. Há sempre algo, ainda que não seja detectável a olho nu, de negativo no que fazem. Também há aquelas que fazem algo de negativo e tapam com outro acto positivo, para não darem demasiado nas vistas. Se aplicarmos estas ideias à política ou à economia, percebemos exactamente as causas de tudo. Foram algumas cabeças desonestas e sem escrúpulos que puseram o mundo na situação em que encontra, levados por uma desmesurada ganância. Nenhum deles respondeu pelos crimes praticados. E o que é mais grave, foram reconduzidos em posições onde podem fazer ainda pior. Não se compreende. Isto é quase a legalização da corrupção. Já a tornaram legítima, pelo que já faltou mais. Só falta mesmo legislar-se nesse sentido. E o que menos se compreende é o envolvimento de pessoas ligadas ao ensino superior. Afinal, muitos dos responsáveis por esta crise, voltaram a leccionar nalgumas universidades. Muitos deles nem sabem explicar grande parte da riqueza acumulada ao longo das suas vidas. De uma coisa estamos certos: não foi no ensino que enriqueceram. E sabe-se da sua associação, directa ou indirecta, a empresas financeiras... Enquanto tudo isto acontecer, perante a passividade da população em geral, nada vai mudar. Estamos a pactuar indirectamente com pessoas que nos colocaram numa situação com a qual nada temos a ver. E estamos a pagar o resultado das suas trafulhices. Ouvi nas notícias que as receitas do fisco não davam para tapar o deficit estatal. Algo está mal. Aumentaram os impostos e ainda não chega? Onde estará o problema? Onde gastarão as pessoas ligadas ao estado o dinheiro que, apesar dos nossos enormes sacrifícios, estes se revelam ainda insuficientes? Não me venham falar de especuladores estrangeiros. Algo haverá certamente por cá que também não está certo e é altura de corrigir. O povo já murmura a sua estupefacção e a sua revolta perante tanta vil audácia… Ao contrário do que pensa certa "gentinha", o povo não é estúpido! Estúpidos são aqueles que se atrevem a pensar assim!