A definição do novo Modelo Estratégico Desportivo está fortemente condicionada, pelo factor económico e financeiro, e pela situação contextual drasticamente influenciada pelo passado recente. O lançamento das bases para o futuro edifício desportivo apesar de condicionado, não pode nem deve se circunscrever ao anúncio do montante orçamental. A redução "cega" de todo o edifício desportivo, mesmo com o corte das "gorduras" dispensáveis por si só não garante o sucesso, nem a mudança que todos esperamos. A análise do passado recente, determinou que a alteração ao modelo desportivo do passado, era necessária, conveniente e imperativa economicamente, e nos seus objectivos. A avidez pela representatividade, pela afirmação das gentes desta ilha, politica, social e desportivamente, chegara a fim de um ciclo notável. Porventura a reflexão e a longevidade deste modelo poderia ter sido abreviada, ponderada e redimensionada de acordo com as novas referências culturais, que a passagem de século indiciava. O final deste ciclo acabando por ser penoso, não deve ofuscar as mais valias da sua implementação e desenvolvimento nesse tempo de conquistas. Espera-se um novo paradigma para este "novo" desporto, e a redução do velho modelo, ditado pelas leis financeiras, definirão um perfil de desporto "mais elegante", mas provavelmente não tão saudável como o desejável. O "emagrecimento" deverá ser sustentado, para ser saudável. A maior participação dos protagonistas em quantidade, crianças, jovens adolescentes no lançamento de actividades físicas e desportivas mais envolventes, mais locais e regionais garantirá esse paradigma de mais saúde, mais desenvolvimento integral e sócio-cultural. Existem razões fortes e de peso como seja, tentar aumentar a taxa de participação da população activa na idade adulta, em actividades físico e desportivas. A criação de hábitos desse tipo de actividades, são um investimento proveitoso em termos económicos e de grande relevância na saúde e bem-estar. A qualidade está inerente à prática desportiva. O treino é evolução, e será uma redundância traçar objectivos de qualidade para a prática desportiva. Está inerente desporto, é intrínseca à actividade de treino e de competição, e as performances, os melhores tempos, os recordes e a superação são a prova disso. O Modelo Desportivo tem de ser sustentado por uma prática de actividade física, abrangente, cada vez mais participativa, de acordo com os reais valores, que na escola, no clube, no espaço informal, dirigida ou não, seja veículo de uma vida melhor numa sociedade mais cultural. Pretende-se, mais actividade física e desportiva, nos espaços vocacionados, com melhor adequação aos respectivos escalões etários, onde a competição seja um complemento na proporção devida e ponderada. Projectar os mais capazes para a alta competição, necessariamente através de um percurso de qualidade necessariamente de eleição, onde a excelência possa ser também uma meta.
Rui Mâncio Caires, Treinador