Foi uma semana completamente atípica. E, por isso mesmo, admite-se alguma falha de comunicação, algum exagero de linguagem, até mesmo uma reacção mais impetuosa. Mas nem isso justifica a estranha reacção do presidente do Governo Regional à operação do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Uma reacção que surgiu aos solavancos, sob a forma de um até compreensível protesto mas com inaceitáveis ameaças e poucos momentos de bom senso. Primeiro foi a birra. Com a forma como decorreu a operação de recolha de elementos, a escolha da GNR para acompanhar as buscas, o inquérito interno, o alarme social e a insinuação de sequestro. Visto à distância até seria divertido, não fora o ridículo que se abateu sobre os madeirenses a acrescentar ao vexame por voltarem a ser notícia nacional pelas piores razões. Alguém deveria dizer a quem teve aquela ideia, que sequestrados estão cada vez mais os madeirenses, não os funcionários que ficaram impedidos de tomar o café a meio de uma manhã de segunda-feira. Alguém deveria dizer ainda que quando decorrem investigações, o normal é que as autoridades se mostrem disponíveis para colaborar e não preocupadas sobre se o agente que controla entradas e saídas veste de azul ou de cinzento. Esse escasso sinal de prudência foi o último ponto do terceiro comunicado, quando deveria ser um dos primeiros pontos do primeiro comunicado. Depois foi a inevitável referência ao ataque. Dito e redito, contado e acrescentado, denunciado e ampliado. Percebe-se a ira quando em causa está a imagem da Madeira e sobretudo a imagem pessoal e partidária. Aceita-se como provocação o nome de ‘Cuba livre’ a uma operação com esta amplitude e seriedade. Admite-se o protesto pelo aparato e até eventualmente as dúvidas sobre os contornos legais da intervenção no primeiro dia do DCIAP na Madeira, sobretudo quando alimentadas por gente mais influente e menos informada. Mas isso não é tudo. Alguém deveria dizer a quem passa a vida nesta estratégia que, apesar de alguma natural confusão, não é a Madeira nem os madeirenses que estão a ser atacados; é o presidente do Governo e o ‘Jardinismo’. Quem chama a si tudo o que de bom foi feito na Madeira nos últimos trinta anos - e foi muito, repito-o sem complexos – não pode derramar sobre todos nós o muito que de mal existe. Finalmente, as ameaças. Ainda nem se imagina no que isto vai dar e de uma coisa temos já a certeza: vamos todos pagar pelos processos judiciais que foram distribuídos nos últimos dias. Alguém deveria dizer a quem faz desta excepção uma regra, que o dinheiro dos contribuintes deve ser usado com parcimónia. Afinal, fora deste círculo fechado, há pessoas sem emprego, há famílias sem recursos, há gente com fome. Esses sim, devem estar no centro das atenções de quem governa.