Os resultados estão à vista. O Estado deseja cumprir as metas do défice e equilibrar as contas pelo lado da receita, sem o esforço equivalente na despesa. Os dados falam por si: a receita fiscal até fevereiro deste ano caiu 5,3% face ao mesmo período de 2011, o que é pior do que o previsto pelo Governo para o total deste ano. E a acrescer, a despesa aumentou. Ora se o Governo aumentou a carga fiscal (os impostos que todos pagamos) em várias frentes, acabou por fazer "arrefecer" o consumo e o investimento de particulares e empresas. Está mais do que visto que a austeridade para o equilíbrio das contas públicas, assente no aumento de impostos, está errada. Os consumidores com menos poder de compra não conseguem aumentar a massa monetária em circulação e com isso não conseguem fazer aumentar o consumo. E pior, com isto agrava-se um indicador social de enorme importância: o desemprego, que na Madeira regista hoje valores históricos. E, por fim, a carga fiscal recai de forma distorcida sobre os consumidores, sobrecarregando os trabalhadores por conta de outrem e os pequenos empresários. Alargando o espectro, é bom frisar que esta política em que Portugal insiste também não deu frutos na Grécia, nem nos vários países europeus que tentam cumprir as percentagens limite do seu défice face ao PIB, imposta por Bruxelas. Enquanto a Europa não vir que só com crescimento económico chegamos lá, nada mudará significativamente. Resultado: a fiscalidade tomou conta do investimento e as finanças controlam a Economia. [email protected]
Luís Sena Lino, Consultor de Marketing e Comunicação