O Teatro, nos dias de hoje, é de que podemos viver os momentos que temos sem confusões e longe de gente despeitada, receosa, medrosa, ambiciosa, gananciosa e demais epítetos degenerativos da orgânica humana. É só partir para outras paragens ou então, partir, ficando dentro, o mesmo que abstrair-se e não deixar que a tristeza nos invada de maneira a que já não acreditemos em quem já não merece ser acreditado por perfídias diárias. O Teatro escancara as facetas de tanto universo e o que nele está integrado e visível ao conhecimento e saber humano, por isso ao representarmos papéis que nos repugnam como seres humanos, conscientes do mundo em que vivemos, passamos por vezes por um luto demasiado doloroso, não porque nos tenhamos tornado nessas mesmas personagens mas às vezes sentimo-nos na pele daqueles que foram objeto dos seus intentos. A essência da representação é como um fluído que se instala pelas veias, qual soro extraordinário e que se misturando com a mais pura adrenalina do espírito do intérprete e que faz nascer os corpos falantes de palco até o derradeiro instante da sua queda e desintegração no espaço vital em que habitaram, tal como nós seres humanos quando o nosso último suspiro desanca sobre a terra, cheia de tanto húmus humano depois de uma vida representada em cada uma das facetas, para as quais fomos sendo conduzidos e aceitando livre ou obrigatoriamente, mas que tivemos que o fazer. Tal como no palco a dor se me afundou a alma, na vida meu amigo a tua vida fechou a dor e partiste para novos espetáculos, quem sabe tão mais belos do que aqueles que eu ainda poderei conseguir vir ainda fazer ou representar. Adeus!

Eduardo Luíz - Actor