
Como habitualmente, nos dias que antecedem o aniversário da Revolução dos Cravos, as televisões, jornais, rádios e outros meios, promovem debates sobre as consequências daquele que foi um dos momentos mais marcantes da História de Portugal. De certeza o mais importante dos últimos séculos. Também como habitualmente, produzem-se as teorias mais interessantes e as mais disparatadas. Não estava era à espera de uma pergunta que ouvi, sobretudo vinda de um jornalista inteligente: além da Liberdade e da Democracia, o que é que ficou do 25 de Abril?
Por mais que tente, ainda não consegui encontrar algo mais importante e grandioso - sobretudo para um País que viveu cinco décadas de ditadura fascista - do que aquelas que foram as grandes conquistas de Abril: Liberdade e Democracia. Tudo o resto foi consequência disso.
Esta vontade, principalmente nos meios mais conservadores, de tentar minimizar o 25 de Abril chega a roçar o patético. Há quem queira convencer os mais jovens de que 'antes era melhor' - só se fosse para a classe dominante da ditadura -, não era, podem ter a certeza. Portugal era um País com uma multidão de analfabetos, pobres, oprimidos e a anos-luz do primeiro mundo. Por mais erros que se tenham cometido, em 38 anos, não há comparação possível. Então nesta terra, uma das mais oprimidas pela ditadura e a que mais ganhou com a Revolução, é de uma ingratidão atroz.
Denegrir o 25 de Abril é um refúgio para os que, pura e simplesmente, têm vergonha de reconhecer que nesse dia estavam no lado errado dos caminhos de mudança e liberdade. Aqueles que teciam elogios ao regime de Salazar e Marcelo, que defendiam a Guerra Colonial mas ficavam no quentinho de casa ou a combater na 'arma de esferográfica', têm o descaramento de descrever a Revolução de Abril como uma 'quartelada', um 'levantamento militar' e outras expressões boçais. Mas vindo de quem vem, de quem elogiava o ditador, é mais uma medalha para aqueles rapazes que em 1974 arriscaram tudo e deram um futuro a Portugal.
Post Scriptum: Também como habitualmente, o parlamento regional não vai comemorar o 25 de Abril. Mas nesse caso até tem alguma lógica, porque não é certo que aquelas duas conquistas da Revolução dos Cravos, Democracia e Liberdade, tenham chegado à ALM.
PS II - Depois de escrever este texto, uma tropa, por coincidência também de uma força de Cavalaria, movimentou-se no Funchal, para investigações ordenadas pelo DCIAP. Não tinham chaimites nem Panhards, nem vinham armados de G-3, mas de material informático. Mas lá que fizeram uma pequena revolução, lá isso fizeram...