Está a cair o pano sobre mais um campeonato nacional. Com um vencedor que nos últimos anos tem sido a regra: o F. C. Porto. Numa prova tão longa, quem ganha é normalmente o melhor. Se por mérito próprio ou demérito dos adversários, vai dar ao mesmo. Isto a propósito da forma incrível como o Benfica perde este campeonato. Quando estão decorridos dois terços da prova e se tem cinco pontos de avanço - como aconteceu ao Benfica - não se pode perder a Liga. Só por manifesta incompetência, isso pode acontecer. Os responsáveis do clube, mais do que ninguém, sabem o que aconteceu. E devem tomar medidas drásticas. Claro que houve coisas positivas, como a participação na Liga dos Campeões, que rendeu trinta milhões de euros. E a Taça da Liga é também uma vitória a considerar, porque é mais uma competição ganha, apesar do Porto não a valorizar, pura e simplesmente porque nunca a ganhou. Mas tudo isto é manifestamente pouco para um clube com a grandeza do Benfica. Como é possível que alguns jogadores - Gaitan a cabeça - não corram nos jogos nacionais, mais parecendo que estão a fazer um "frete"? Quem foi o responsável pelo empréstimo de Ruben Amorim, um jogador que faz falta no plantel, ainda por cima a um clube que estava a disputar o título? Quem insistiu em Emerson, defesa esquerdo que não tem lugar neste plantel, quando tinha um internacional espanhol para a mesma posição? Quem acabou com um jogador - Saviola - de uma enorme classe e um avançado, como há muito poucos em Portugal? Muitas mais perguntas se poderiam fazer. Mas o facto é que num ano em que o Porto nem foi tão forte e dominador como habitualmente, o Benfica com o plantel que tem, só tinha uma obrigação: vencer o campeonato. E não o venceu por manifesta incompetência de toda a equipa e arrogância do treinador, o seu principal responsável técnico.

Rui Abreu