João Gonçalves Jorge Alves, trinta e dois anos, pai de dois filhos. Uma menina de doze, que para sua maior desgraça cumpridos hoje, dia de seu aniversário e um ainda bebé. Acaba de falecer neste dia 20 de Abril vitima de Malária, após dois dias ligado a um ventilador. Desde o inicio do ano de 2007 que com o abrandar do sector da construção civil se tem assistido a uma crescente deslocação de trabalhadores, principalmente do Caniçal e de Machico, para a Guiné Equatorial. Onde entre alguns continentais e muitos madeirenses, se encontram hoje perto de duzentos Portugueses. Que com o seu trabalho tem produzido riqueza para a região já de si tão carente neste ramo de actividade. Claro que isso acarreta estar exposto a doenças que não são endémicas da Madeira. Mas para tal a região têm nos seus quadros profissionais de saúde na especialidade de medicina tropical, que têm sido incansáveis nos casos com que se têm deparado. Nas pessoas da Dra. Nancy e Dra. Paula. Por cada três meses de trabalho, regressam à Madeira duas semanas de ferias. Vindos de um pais onde existem condições médicas precárias, onde em cinco anos não me recordo de uma semana sem que alguém tenha tido malária. Onde aos primeiros sintomas de mal estar e alguma febre, são realizadas analises ( gota espessa ), que mais não consiste que a observação do sangue do doente num microscópio. A confirmar-se o diagnostico da doença, é logo iniciado o tratamento com um medicamento chamado "ARTESUNATE" e em algumas ocasiões é administrado algum soro aos pacientes. Nunca vi ninguém ficar mais de cinco dias doente.Temos por experiência própria que quando mais cedo é iniciado o tratamento mais fácil é a recuperação, menos grave a progressão da doença e mais fácil o seu tratamento. Recomendamos a todos os colaboradores que aos primeiros sintomas, a quando de estadia na região, se desloquem aos centros de saúde e alertem para a possibilidade terem a doença por estarem de regresso de Africa. Tenho conhecimento que na ultima semana e meia, cinco pessoas apresentaram sintomas. Que três dessas foram detectadas ou encaminhadas para as profissionais da especialidade competente e já se encontram bem de saúde. Dois tiveram menos sorte. Um acaba de falecer depois de lhe ter sido negado possibilidade de averiguação de ter ao não malária e de andar 5 dias a "Paracetamol" para combater o estado febril e outro que lhe foi diagnosticado uma virose. Perdendo assim dias importantes de tratamento e deixando evoluir a doença a um ponto que para um deles foi fatal. Já finais do ano de 2009 tivemos uma situação idêntica com varias pessoas a deslocarem-se vezes sem conta aos centros de saúde e hospital Nelio Mendonça e verem negados os seus argumentos o que provocou um agravar da doença. Tendo um dos quais estado ás portas da morte. Na altura estava na moda a gripe A... Situação que mereceu primeira pagina no Diário de Noticias e uma consequente declaração despropositada e descabida do Secretário da Saúde reinante na época. Agora tal como na altura não deram ao não quiseram dar ouvidos ás pessoas. Numa arrogância dos médicos que é já bem conhecida. Será um desprestigio assim tão grande que um paciente possa dar indicações a um medico sobre uma doença com que convive todos os dias? Que muitos deles já não é uma primeira vez? Sem ter que ouvir uma resposta torta? tipo: "Mas afinal quem é aqui o médico? Vá para casa que você têm é gripe". É que infelizmente a Malária pode muitas das vezes ser confundida com tal, por apresentar sintomas idênticos. Não seria mais natural encaminhar os doentes para a especialidade competente? Será que desconhecem que a malária mata? Que uma intervenção rápida é fundamental? Espero que as autoridades tenham a coragem de averiguar esta morte, bem como estas situações recorrentes de falta de profissionalismo que desprestigiam a classe médica. Que as culpas sejam apuradas e as pessoas envolvidas prestem contas dos seus erros. A ti Jorge, que tenhas paz... A mim, que se algum dia se manifestar a doença, que tenha a sorte de ser na Guiné. Pois ai tenho a certeza que vão cuidar de mim. Á familia, os meus mais sinceros pêsames.