Olhando a "Madeira vista de fora", optei por escolher para tema deste apontamento, os sinais de mudança que me foram chegando e se fizeram notar, nos últimos 15 dias, de que fui tomando notas, mais fortemente os percebendo e, mais por dentro os vivendo, ao concluir este apontamento, na Madeira e em plena "Festa da Flor" a que, pela primeira vez, me foi dado estar presente e apreciar, sem todavia desligar a atenção daqueles mesmos sinais. A provável antecipação de congressos partidários e a aproximação das eleições regionais, após alguns desencontros e não menos encontrões, trouxe ao de cima umas quantas ideias em resultado, nomeadamente, da selecção de candidatos à Presidência da autarquia da capital da Região. O desenvolvimento desse emaranhado, terá feito despoletar o anúncio das candidaturas que se perfilam para a Presidência do partido maioritário, tudo bastante atabalhoadamente e a que nem faltaram as invectivas e os insultos à razão e à democracia que, impunemente, vai sendo cada vez mais mal tratada, tudo no meio de peripécias e cambalhotas múltiplas, que em nada abonam a favor da Madeira, tão afectada que está por uma crise de que já ninguém duvida e que continua a requerer o bom senso que escasseia. Sem que se enquadre nesta sucessão de acontecimentos, o lançamento da iniciativa do DIÁRIO em conjunto com uma associação de profissionais do Centro Internacional de Negócios da Madeira, contando com a participação directa do Presidente do Grupo Blandy, terá feito nascer um esforço conjunto - um bom sinal - aparentemente consensual tendo, como expectável, o apoio a nível da governação regional, traduzido pela presença de um seu representante. Terá faltado todavia uma afirmação inequívoca, tanto mais necessária quanto é certo que, passada menos de uma semana, em reunião do partido, o seu Presidente, mais uma vez proclamou como seus adversários o Diário e o seu accionista maioritário e, quase em simultaneo, numa espécie de "recaída" de um estafado complexo associado a um colonialismo económico imaginário, veio a público um estudo documental em curso, com a divulgação da primeira parte. E, para rematar, como se sabe, a Assembleia da República, optou pela 'condenação' da proposta que defendia a continuidade da Zona Franca. Sem alongar-me em considerações interpretativas dos tais sinais que referi, prefiro terminar evocando a "Festa da Flôr", deslumbrante e que, pela beleza e o colorido das nossas flores, bem como pela estética dos arranjos e seu enquadramento, como se diz, "encheu o olho" dos muitos milhares de turistas que aqui se deslocaram ou estiveram em trânsito - uma autêntica maravilha. Mas não devo, ainda assim, terminar sem apelar para que os sinais de mudança se não extingam e oxalá se concretizem e perdurem, uma vez mais, como em tantas outras ocasiões, "pela Madeira sempre…!" (por decisão do autor, este texto não respeita as normas do Acordo Ortográfico)

Francisco Leite Monteiro